(Mário Quintana)

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domingo, 2 de setembro de 2012

Sou Parkinsoniana... e daí?

© Walmir Lima
Carmen Mattos


Sei que vivo num mundo restrito, mas meus heróis não são fictícios, são de carne e osso. Eles não têm poderes sobrenaturais, não têm super poderes como os Super Heróis, mas poderes reais, muito mais valiosos.
Seus músculos não são de aço, como os do Super Homem, mas têm a fibra indestrutível do seu caráter; Sua força física não é igual à do Poderoso Hulk, mas sua coragem move montanhas; Sua visão não é de raio X, mas sua sensibilidade poética enxerga muito além do infinito.
Uma dessas pessoas, eu acabo de conhecer (pelo menos estou conhecendo, aos poucos, sua história e sua obra, lendo seu livro “Momentos”) e, mesmo pelo pouco que li e pelo pouco que sei, me inspirou a prestar esta simples, mas, sincera homenagem.  
Ela tem uma história fascinante e sabe muito bem o valor que tem a vida.  Em sua experiência, sabe, como ninguém, que Deus nos concede essa dádiva com o fim de cumprirmos uma missão.  Sabe que para uns, essa missão dura apenas alguns poucos anos; para outros, dura 50, 70, 90 anos ou mais. Mas, sabe também que o importante é que ela se resume simplesmente em: filhos e netos alegrando a vida dos pais e avós e pais e avós, alegrando a Deus pelo dever cumprido, vivendo a dádiva da vida com amor e alegria, apesar do pouco ou do longo tempo, apesar das adversidades e da dor – sendo um exemplo de Vida!
Assim é, para mim, a escritora e cantora Carmen Filgueiras Lino de Mattos - uma mulher de fibra.
O texto abaixo, escrito por ela, foi publicado na revista eletrônica www.mulherdeclasse.com.br e reflete muito bem o que quero dizer:

Sou Parkinsoniana, e daí?
Carmen Mattos
Há pouco tempo assisti, pela televisão, a entrevista de um escritor famoso  que eu considerava um homem inteligente e culto.  Porém fiquei decepcionada quando ao lhe perguntarem quais seriam as duas coisas que ele mais temia neste mundo, ele respondeu “Câncer e Mal de Parkinson”.
No mesmo instante, num misto de revolta e espanto, pensei: “Que ignorância”.  Com é que essa criatura conta de uma forma tão dramática, para milhões de pessoas, as suas fobias, esquecendo-se, que, possivelmente, milhares de pessoas portadoras dessas duas “temíveis” enfermidades estivessem assistindo o programa.  Será que ele não se deu conta da bobagem que falou?  Será que ele não sabe que tem gente que procura nos programas de TV, soluções para seus problemas e não complicadores?
Pobre entrevistado.  Culto, mas ignorante.  No seu medo, ignorou que a grande maiorias dos cânceres têm cura e que, existem outras doenças tão problemáticas como a diabetes, enfisemas, as hepatites, etc., além das seqüelas causadas por desastres, acidentes e catástrofes.
Não devemos temer esta ou aquela doença.  “Não se enfaixa a cabeça antes de quebrá-la”, diz o ditado popular.  Prevenir é bom, e para isso já existem muitos meios.

Tenho uma doença, mas não sou doente

Nem sei quando eu me tornei uma Parkinsoniana. Pelos meus cálculos, há uns oito anos mais ou menos. Um dos sintomas mais característicos do Parkinson é a dificuldade para escrever e eu deixei de escrever à mão, muito tempo antes de descobrir a doença.
A outra característica é a rigidez muscular, e eu tinha rigidez na nuca sempre que sentia frio ou ao sair do banho.
Porem, nada isso me incomodava. Para escrever, eu usava o computador e para o frio, bastava me agasalhar bem.
Um dia porem, os outros sintomas resolveram aparecer. Foram chegando, chegando; uma depressão aqui, uma fraqueza nas pernas ali, medos incompreensíveis (sempre gostei de fortes emoções), crises de choros, irritabilidade, muita fraqueza e um leve tremor nos dedos das mãos.
“Preciso ir ao médico” pensei.
Começou então minha Via Sacra. Via Dolorosa, com medo, temendo o pior, mas com esperança de que não fosse nada mais grave.
Desconfiava e temia o Parkinson, até mais talvez, do que escritor do começo desta crônica.
Foram muitos os médicos e eu fingia ignorar o diagnostico, que, infelizmente nem sempre è conclusivo e até sua origem é desconhecida.
Fiz uma ressonância magnética e apareceu “uma leve alteração na substância negra”, indicio claro de uma guerra de morte de neurônios e que precisava ser combatida.
Mudei de neurologista nem sei quantas vezes. Fiz terapia, e aos poucos fui aceitando a doença. Precisava lutar contra o mal que estava sorrateiramente tomando conta do meu organismo, tirando-me muitas coisas, até o simples gesto de bater palmas. Começava a perder coordenação motora. Logo seria a voz e eu adoro cantar. Também me tiraria a dança. Seria outra tristeza.
Resolvi levar a sério as recomendações do meu neurologista e aos poucos fui recuperando as coisas perdidas.
No inicio da doença, mudei minha assinatura no banco e me arrependi. Em pouco tempo minha escrita voltou fluente e bonita como antes. Voltei a bater palma, bater ovos, costurar e outras tantas coisinhas que para mim são importantes.
Por isso, faço questão de contar nos meus livros (Momentos e O Zepelim do Silvio), livros que escrevi já com a Doença de Parkinson, os detalhes de como convivo com ELA, como vou driblando os problemas que aparecem e a constante busca de recursos que me ajudem a continuar tendo vida normal, fazendo praticamente tudo que sempre fiz.
A medicina está trabalhando com pesquisas interessantes. Fonoaudiólogos, terapeutas, professores de vários níveis, trabalham incansavelmente na procura da cura de todos os males, mas enquanto ela não chega, vamos viver a vida da melhor forma possível: cantando, dançando, escrevendo, amando, vivendo...
 Uns dizem -“Eu sou diabético”, outros dizem - “Eu sou tetraplégico” ou -“Sou saudável” e eu digo:

– “Sou Parkinsoniana... e daí?"

                        - o0o -

A autora: Carmen Filgueiras Lino de Mattos nasceu em São Paulo, Capital.  É licenciada em Filosofia e Letras, mas preferiu dedicar-se à música, estudando (violão), participando, como cantora, de vários concertos em teatros e salas de espetáculos.

Em 1967 ingressou no coral do Circulo Militar de São Paulo, e, em 1969 foi convidada a participar do Coral da Poli, hoje Coralusp, tendo participado como solista, de grandes eventos e viajado com o Coral por várias cidades do Brasil e do exterior (Estados Unidos e Europa).
Foi durante 15 anos, orientadora de um programa de reeducação alimentar. Aposentou-se em julho de 2001. Desde então, dedica-se a escrever seus momentos vividos, à prática de Iyengar Yoga e ao canto. Seu repertório é composto de autores como: Purcell, Haendel, Mozart, Fauré, Falla, Puccini, Hugo Wolf, Tosti, Cole Porter, Gershwin, Richard Rodgers, Lloyd Weber e outros.


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2 Comentários:

Anonymous Cynara Mattos disse...

Essa simples homenagem, como vc mesmo disse, me emocionou muito Walmir!
Eu me sinto orgulhosa por fazer parte dessa linda história de vida...
Muito obrigada pelo carinho comigo sempre, e agora, com minha mãe!
Um beijo!
Cynara

2 de setembro de 2012 10:47  
Anonymous Anônimo disse...



Amigo

Acreditar: é a arvore da vida para os que nela se apegam. Doenças e males vêm e vão em meio a força maior da crença em sua própria eternidade.
A vida desta mulher me anima, Restituiu-me a crença pela sua força interior.
Para se homenagear um ser humano basta apenas sentir o que lea pensa e o que ela almeja. Esta é a prece mais escolhida para iniciar meu dia.
Abração amigo meu
Lemos

3 de setembro de 2012 10:01  


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2 Comentários:

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