(Mário Quintana)

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domingo, 14 de julho de 2013

Mente Inquieta

© Walmir Lima

A Coragem da Mente Inquieta

                                           para meu neto, Antonio

Minha mente inquieta e solitária
Finalmente apontou um caminho
Que estava latente
Esperando a hora chegar
Preso no meu inconsciente

Um verdadeiro sacerdócio
De renúncias e doações
Ao bem espiritual
À compreensão do ser humano
À compreensão de mim
À compreensão do outro

Um caminho com o qual me identifico
Com o qual empiricamente
Convivi o tempo todo
Que já estava sem saber
Diante de mim
Que já estava em mim

Espero ter forças
Para poder abraçá-lo
A essa hora da vida
A decisão foi tomada
Que Deus me proteja
A coragem da mudança
E ajude a estar à sua altura
Para enfrentar o que vem
Amém

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sexta-feira, 19 de abril de 2013

Da Importância do Ser Conciliador

© Walmir Lima


Da Importância do Ser Conciliador



Chego aqui, à última parte de uma trilogia - da trilogia representativa de uma visão atual da vida, de uma experiência. São valores que foram sendo assimilados duramente, ao longo de um caminho que só eu sei o quanto foi, e tem sido, difícil.

Tem sido mais fácil perceber do que praticar.

Praticar demanda vigilância - vigilância permanente. Se eu pudesse comparar, essa vigilância seria quase a mesma para se ficar alerta contra as investidas sorrateiras do vício – o vício do ódio (veneno mortal) e de seus primos-irmãos, o vício do preconceito, o vício da intolerância, da incompreensão e do desamor.


A primeira parte foi o texto “Da Importância de Dizer: Eu Te Amo”, a segunda, o “Da Importância do Perdão”, e, agora, o “Da Importância do Ser Conciliador”.


A essência desses valores está em três chaves:


- Dizer “Eu te Amo”, abrindo o coração para irradiar o que de mais lindo a Grande Força espera de nós: ser a fonte do Amor, em todas as suas formas.


- Perdoar ao próximo e a si mesmo, que é a outra forma de se purificar a alma.


- Procurar ser O Conciliador, a figura do sábio, ser o terceiro ponto, o ponto de desequilíbrio e ajudar, de alguma maneira, a remover a dificuldade do diálogo e da tolerância, que são as outras formas de se emanar luz através da compreensão e do respeito ao próximo, procurando trazer Paz a cada pessoa, à comunidade, aos povos.


E isso vale para todos os níveis, desde a nossa simples vida, a partir da micro-célula, a Cellula Mater da sociedade - a família - até atingir todos os povos do planeta, nossos irmãos.


Bem, o tema da dificuldade do diálogo, da dificuldade da negociação, me faz lembrar de uma de minhas histórias favoritas do Oriente Médio, que ouvi há alguns anos, em uma palestra, e que conto aqui, como primeira ilustração, para os exemplos que quero dar de como podemos nos tornar “o terceiro ponto”, a figura do Conciliador, que, como disse, e creio, vale para desde uma simples família até para a tentativa de resolução de um conflito internacional.


É a história de um homem que deixou para seus três filhos 17 camelos.


Para o primeiro filho, deixou metade dos camelos. Para o segundo filho, deixou um terço dos camelos e para o mais novo, deixou um nono dos camelos.


Então, os três filhos começaram a negociar: 17 não é divisível por 2, não é divisível por 3 e não é divisível por 9.


Assim, a relação entre os irmãos começou a ficar tensa.


Já em desespero, eles saíram e consultaram uma velha sábia. A velha sábia pensou no problema deles por muito tempo e, finalmente, ela voltou e disse:


“Bem, eu não sei se eu posso ajudá-los, mas, se vocês quiserem, pelo menos, eu posso dar-lhes o meu camelo.”


E assim, eles ficaram agora com 18 camelos.


O primeiro filho pegou a sua metade – metade de 18 é 9;

O segundo filho pegou a sua terça parte – um terço de 18 é 6;
O mais novo pegou a sua nona parte – um nono de 18 é 2;

Logo, 9 mais 6 mais 2 são 17; e sobrou um camelo que eles devolveram à velha sábia.



A Utopia da Paz


Agora, se você pensar nessa história por um momento, verá que ela se assemelha a muitas negociações difíceis em que nos envolvemos. Elas se iniciam em "17 camelos", ou seja, sem maneira de resolver. De alguma forma, o que nós devemos fazer nessas situações é dar um passo atrás, como a velha sábia, olhar a situação com novos olhos e achar "o 18º camelo".


Achar o 18º camelo nos conflitos tem sido a paixão da minha vida. Eu, basicamente, vejo a humanidade como aqueles três irmãos: nós todos somos uma família.


Nós sabemos que, cientificamente, graças à revolução nas comunicações, todas as tribos do planeta - todas as 15.000 tribos - estão em contato, umas com as outras. E isso é uma grande reunião familiar, e, como em muitas reuniões familiares, nem tudo é paz e amor !!


Há muitos conflitos, e a questão é: como nós lidamos com nossas diferenças ? Como lidamos com nossas mais profundas diferenças, dada a propensão humana ao conflito e o gênio humano que cria armas de enorme destruição ? Essa é a questão !!


Enquanto eu gastava parte das últimas três décadas, quase quatro, viajando pelo mundo, tentando trabalhar, me envolvendo em conflitos familiares e profissionais, eu via, da Iugoslávia ao Oriente Médio, da Chechênia à Venezuela, da Inglaterra à Argentina, alguns dos mais difíceis conflitos na face da Terra, e me fazia essa pergunta: Qual é o segredo da Paz ? Qual é o segredo do entendimento humano?


É realmente surpreendentemente simples - não é fácil, mas é simples. Nem é novidade. Deve ser uma das nossas mais antigas heranças:


O segredo da Paz somos NÓS !!


Somos nós quem age quando a comunidade ao redor está em conflito, somos nós quem pode desempenhar um papel construtivo.


Deixe-me contar uma história, um exemplo...


Cerca de 20 anos atrás, eu estava na África do Sul e pude, então, conhecer um pouco sobre os vários grupos de San Bushmen. Eu estava curioso sobre eles e sobre como eles resolviam seus conflitos. Porque, acima de tudo, fiquei sabendo que eles eram caçadores e coletores, vivendo de forma primitiva, mais ou menos como nossos ancestrais viveram por, talvez, 99 por cento da história da humanidade.


Todos tinham flechas envenenadas, que usavam para caçar - absolutamente fatais !! Então, como eles lidavam com suas diferenças ?


Bom, o que eu aprendi é que, sempre que os ânimos se exaltam nessas comunidades, alguém vai e esconde as flechas envenenadas no mato, e todos sentam em círculo, no meio da tribo, e eles falam, e falam, e falam. Deve levar 2 dias, 3 dias, 4 dias, sei lá, mas eles não desistem até que encontrem uma solução, ou, melhor ainda: uma RECONCILIAÇÃO !!


E, se os ânimos ainda estiverem altos, eles mandam alguém visitar seus parentes, como um período dedicado para se acalmar. Bem, esse sistema é, creio, provavelmente, o sistema que nos manteve vivos até agora, dada nossa tendência humana.


Este sistema, eu chamo de “Terceiro Lado”, porque, se você pensar bem, normalmente, quando pensamos num conflito, quando o descrevemos, sempre há dois lados: são Árabes versus Israelitas, trabalho versus gerência, marido versus esposa, Republicanos versus Democratas, direitistas versus esquerdistas, e etc., mas o que nem sempre vemos é que há sempre um terceiro lado do conflito. E o terceiro lado do conflito somos nós, é a comunidade vizinha, são os amigos, os aliados, os membros da família, os vizinhos. E podemos ter um papel incrivelmente construtivo.


Talvez, o mais fundamental em que um terceiro lado possa ajudar, é de lembrar as partes o que realmente está em jogo e de focar na solução.


Pelo bem de nossos filhos, pelo bem de nossa família, pelo bem da nossa comunidade, pelo bem de nosso futuro, vamos parar de brigar por um minuto e começar a conversar. Porque, o fato é: quando estamos envolvidos em um conflito, é muito fácil perder a perspectiva, é muito fácil reagir. Nós, seres humanos, somos máquinas de reagir !!


Enquanto as palavras vão saindo (quando com raiva), você faz o melhor discurso e... você vai se arrepender !!


Então, o terceiro lado nos lembra, o terceiro lado nos ajuda a “ir até a varanda” - que é uma metáfora de um lugar de perspectiva, onde podemos manter os olhos no objetivo, ao invés de procurar se defender atacando os outros. Feito isso, a conversa geralmente volta aos eixos.


Esse é o papel do terceiro lado: é ajudar as partes a “irem à varanda”.


Agora, vamos pensar, por um momento, no que é largamente considerado como o conflito mais difícil do mundo: o conflito do Oriente Médio.


A questão é: há um terceiro lado lá ?  Como possivelmente poderemos, nesse caso, "ir para a varanda" ?  Obviamente, eu não pretendo ter uma resposta ao conflito do Oriente Médio, mas penso que talvez possamos, como comunidade global, encontrar, e dar, o primeiro passo, literalmente o primeiro passo, algo que qualquer um de nós pode fazer como terceiros. Não é utopia !!


Quantos de nós, nos últimos anos se preocuparam com o Oriente Médio e se perguntaram “o que eu posso fazer ?”. Creio que a grande maioria de nós um dia já se preocupou, ou ainda se preocupa. Mas, aqui é tão longe, por que prestamos tanta atenção neste conflito ? Seria o número de mortos ? Há muito mais vezes pessoas que morrem em conflitos na África, ou nas ruas das nossas próprias metrópoles, do que no Oriente Médio !!


É por causa da história - porque nos sentimos pessoalmente envolvidos na história. Não importa se somos Cristãos, Muçulmanos ou Judeus, religiosos ou não. Sentimos que temos algo pessoal em jogo. 


As histórias são levadas em conta - Antropólogos, sabem que sim. Histórias são o que usamos para transmitir conhecimentos, e esses é que dão sentido à nossa vida. É o que fazemos na vida: contamos histórias.  Histórias são a chave!!


Então, minha questão é:  Sim, vamos experimentar e resolver a política do Oriente Médio, mas também, a partir de uma olhada na história, vamos tentar encontrar a raiz de tudo isso, vamos ver se e onde podemos aplicar o “terceiro lado” nisso.


Bem, os Antropólogos também sabem que cada cultura tem uma história de sua origem.


E qual é a história do Oriente Médio ? 


Em uma frase é: 4.000 anos atrás, um homem e sua família andou pelo Oriente Médio e o mundo nunca mais foi o mesmo !!

Aquele homem, claro, foi Abraão.


E ele representava a unidade da família. Ele é “o pai de todos”. E não é apenas o que ele representa, mas também qual foi sua mensagem. Sua mensagem básica foi pela unidade, pela interconectividade - a unidade de todos !!


E seus valores básicos eram respeito, era gentileza para com os estrangeiros. É por isso que ele é conhecido: por sua hospitalidade. Então, dessa forma, Abraão é um “terceiro lado” simbólico do Oriente Médio.


Ele é aquele que nos lembra que somos todos parte de um grande todo.


Agora, e nós ?  Pensemos nisso por um momento... Hoje enfrentamos o flagelo do terrorismo.


E o que é terrorismo ?


Terrorismo é, basicamente, pegar um estranho inocente e tratá-lo como um inimigo que se mata para criar pânico.


E o que é o oposto ao terrorismo ?


É pegar um estranho inocente e tratá-lo como um amigo, que você convida para sua casa para semear e cultivar o entendimento, o respeito, o amor.


E, se, então, você pegar a história de Abraão ?  E se isso for um antídoto para o terrorismo ?  E, se isso for uma vacina contra a intolerância religiosa ?  Como poderemos dar vida a essa história ?  Não basta apenas contá-la - que é poderosa - mas as pessoas precisam experimentar a história, precisam ser capazes de viver a história.


Como fazer isso ?  Isso é o que vem primeiro aqui, por causa da forma simples de fazer isso: é você sair em uma caminhada.


Você faz uma caminhada sobre os passos de Abraão, você retraça os passos de Abraão, porque o andar tem um poder real.


E, apelando de novo aos Antropólogos, podemos dizer que eles sabem que andar é o que nos faz humanos.


É engraçado... Quando você caminha lado-a-lado, caminha na mesma direção, caminha na direção comum. Agora, se eu fosse para chegar até você, cara-a-cara, e chegasse, assim, bem perto de você, você se sentiria ameaçado, mas se eu caminhar ombro-a-ombro, mesmo que tocando os ombros, não há problema - estamos indo na mesma direção !!


É por isso que sempre nas negociações de escopo internacional, quando as coisas ficam difíceis, as pessoas envolvidas vão caminhar lá fora, andar entre as árvores, andar ao ar livre, andar lado-a-lado.


O potencial é, basicamente, mudar o jogo. E, para mudar o jogo, você deve mudar o cenário, a forma como vemos as coisas, para mudar o cenário da hostilidade para a hospitalidade, do terrorismo para o turismo. E, neste sentido, “O Caminho de Abraão” seria uma mudança do jogo.


Assim, a exemplo do famoso Caminho de Santiago de Compostela, surge a idéia de inspirar um caminho, uma rota do Oriente Médio, uma rota de integração dos povos.


Pense numa rota, pense numa trilha que seguisse os passos de Abraão. Muitos diriam: isso é loucura, você não pode retraçar os passos de Abrão. É muito inseguro, você teria que cruzar todas aquelas fronteiras - ela passaria por 10 diferentes países do Oriente Médio, porque ela os une, a todos, indo de seu local de nascimento, a cidade de Ur, no sul da Turquia, norte da Mesopotâmia. Daí então, pegar um ônibus e ir para Harran, onde, na Bíblia, ele inicia sua jornada. Então, cruzarmos a fronteira da Síria, irmos para Aleppo, que mudou seu nome depois de Abraão. Irmos para Damasco, que tem uma longa história associada a ele. Depois, irmos para o norte da Jordânia, e então, para Jerusalém, que tem tudo a ver com Abraão, para Belém, e, finalmente, para o lugar onde ele foi enterrado, em Hebron.


Dessa forma, de fato, iríamos, do berço ao túmulo, caminhando em Israel, na Palestina, na Jordânia, na Turquia e na Síria, mostrando que pode ser feita - uma jornada fantástica !!


Eu já estive em boa parte daquela região e posso afirmar que, aqui na terrinha, temos uma ideia muito errada sobre as pessoas comuns de lá. O que nos passam os filmes e as notícias específicas, dirigidas, é de que se trata de um povo radical, grosseiro e hostil, quando, posso afirmar que, no geral, se trata de um povo simples, puro e, principalmente, hospitaleiro.


Integrá-los ao nosso convívio inserindo-os em nossos roteiros de viagem talvez seja uma forma de mudar a perspectiva em ambas as visões. Nós nos conheceríamos melhor mutuamente, compreenderíamos as idiossincrasias intrínsecas às culturas (a nossa e a deles).


Incrementaríamos sua micro-economia e desfrutaríamos das belezas que lá existem, veríamos de perto e ao vivo os locais históricos de tão grande importância para o conhecimento da história das civilizações e do próprio mundo cristão. Por fim, perceberíamos que podemos conviver, perceberíamos que podemos viver em Paz !!


Quantos de vocês já tiveram a experiência de estar em uma vizinhança estranha, ou numa terra estranha, e alguém totalmente estranho, completamente estranho, chegasse até você e lhe mostrasse cordialidade, talvez o convidasse à sua casa, lhe desse algo para beber, lhe desse um café, lhe desse uma refeição ? Quantos de vocês já tiveram essa experiência ?  Que sentimento isso traz !!


Essa é a essência do caminho de Abraão.


Mas isso é o que você descobre quando você vai a essas vilas no Oriente Médio, onde você espera hostilidade e você recebe a mais fantástica hospitalidade, tudo por causa de Abraão:


“Em nome do pai Abraão, deixe-me oferecer-lhe alguma comida”, eles dizem.


Há, literalmente, centenas de comunidades ao longo do Oriente Médio, ao longo do caminho. Esse é o potencial do Caminho de Abraão.


O que descobrimos é que Abraão não é apenas um personagem de livro para essas pessoas, ele está vivo, sua presença está viva.


Eu soube há alguns poucos anos que, por aqui, no lado ocidental, pessoas começaram a organizar caminhadas nas cidades, no interior das comunidades. Em Cincinnati, nos Estados Unidos, por exemplo, se organizou uma caminhada de uma igreja para uma mesquita, para uma sinagoga, e todas tiveram uma refeição Abraãmica juntos. Foi o dia de Festa de Abraão.


O jornal Manchester Guardian publicou uma peça sobre isso, duas páginas inteiras. Eles entrevistaram uma pessoa local que disse: “Essa caminhada nos conecta ao mundo, foi como uma luz que entrou em nossas vidas. Nos trouxe esperança”.


Aqui em São Paulo também já se tornou um evento anual para milhares de pessoas que correm em um Caminho de Abraão virtual, unindo diferentes comunidades e espalhando, assim, essa ideia - a ideia da hospitalidade Abraãmica - de bondade para com os desconhecidos.


Se você estivesse nas ruínas de, digamos, Londres, em 1945, ou Berlim e tivesse dito: “Em alguns anos esta será a parte mais pacífica e próspera do planeta”, as pessoas poderiam pensar que você certamente estava insano. Mas eles conseguiram, graças a uma identidade comum – a Europa - e uma economia comum.


Se isso pode ser feito na Europa, por que não no Oriente Médio ?


Por que não, graças a uma identidade comum, que é a história de Abraão, e graças a uma economia comum, que pode ser baseada, em boa parte, no turismo ?


Acredito que não haja um conflito no planeta, por mais perigoso, difícil, rebelde, que não possa ser transformado através da boa vontade, da compreensão e da tolerância (incluindo raça, costumes e religião).


Não é fácil, claro, mas é possível. Isso foi feito na África do Sul. Isso foi feito no norte da Irlanda. Pode ser feito em qualquer lugar. Isso, simplesmente, depende de nós. Depende de que tomemos o “terceiro lado”, mesmo que seja com um pequeno passo que pode levar o mundo a um passo mais perto da paz. 


Vamos dar uma parada por um momento. Se vire para alguém que seja de uma cultura diferente, de um país diferente, de uma etnia diferente, alguma diferença, e comece uma conversa, ouça-o. Essa é a ação do Terceiro Lado. Isso é andar pelo Caminho de Abraão.


Há um velho ditado africano que diz: “Quando as teias de aranha se unem, podem pegar até um leão”. 


Se formos capazes de unir nossas redes da paz do “terceiro lado”, se formos capazes de unir nossas redes da conciliação, poderemos parar o leão da guerra !!



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quinta-feira, 14 de março de 2013

Da Importância do Perdão

© Walmir Lima
Da Importância do Perdão


Hoje, mais uma vez, confesso que estou cansado.

Cansado da sobrecarga de mais uma etapa difícil, de uma luta quase inglória. Mas, a despeito disso, vou buscar forças não sei onde, como a procurar um pedacinho de balsa no meio do oceano, para falar de algo maravilhoso que temos. Algo capaz de operar milagres em nossas vidas, principalmente em nossos corações.

O que adianta termos tudo o que queremos e esquecermos da paz em nosso coração? Acredito que tudo o mais valha muito pouco, não é mesmo?

Assim, buscando substituir este sentimento de revolta, para mim, é hora de parar, refletir um pouco e pôr em prática aquela parte da oração, que, geralmente, falamos automaticamente... sem realmente dizer...

"... assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido..."

E buscar na união do Espírito o alívio para as dores que me afligem a matéria e a alma...

Portanto, quero falar da Importância do Perdão.

Muitos de nós sabemos, temos plena consciência de que se vão os dedos e ficam os anéis. O que levamos dessa vida não são os bens materiais. Esses ficam. O que levamos, efetivamente, são os valores morais. Sim, os valores morais intrínsecos em nós: A capacidade de amar, de perdoar, de administrar uma família, de fazer e conservar amigos, de ser útil e prestativo ao próximo, a capacidade de manter o equilíbrio mesmo naquela hora mais difícil, a capacidade de dizer não dizendo sim, e por aí vai.

Uma das mais exuberantes qualidades que podemos desenvolver conosco, internamente falando, é a capacidade de perdoar. Perdoar a si próprio pelos erros cometidos agora, no passado, seja em que época for, e perdoar as pessoas envolvidas nas situações vividas.

Não importa quem tenha ou teve razão. O importante, é a nossa capacidade fornecer o perdão.

Lá do fundo do nosso íntimo, no fundo do nosso ser, de nossa essência, perdoar aqueles que fizeram papéis de algozes para conosco. Aliviá-los desse fardo que emperra seu crescimento espiritual e aliviarmos um pouco nosso peso cármico, que, como na maioria dos casos, também não é nem um pouco pequeno.

À medida que vamos exercitando nossa capacidade de perdoar, estamos dilatando nossa compreensão com relação ao ser humano. Estamos usufruindo desses benefícios todos que a Sabedoria Divina nos proporciona. Inclusive, estamos trocando nossas dívidas maiores por dívidas menores, através do merecimento.

Perdoar, é sempre uma grande chave - a chave para o desenvolvimento espiritual. O perdão envolve pessoas, sentimentos, mágoas antigas, retira doenças no duplo etérico, altera as vibrações de nossos chakras, nos proporcionando auras bonitas, brilhantes, de cores vivas, iluminando todo o nosso ser.

O perdão nos faz bem - a nós e àqueles que nos cercam.

De paz com a Vida e com o que Ela me traz ..!!

Que Nosso Pai Maior nos abençoe e que sejamos merecedores disso tudo.

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terça-feira, 5 de março de 2013

Da Importância de Dizer: "Eu Te Amo"

© Walmir Lima
Da Importância de Dizer:
“Eu Te Amo”

Como é importante dizermos essas três palavrinhas.


O significado tem o poder de transformar coisas ruins em coisas maravilhosas.


Quando um filho enlaça com seus bracinhos e diz ao pai ou à mãe “eu te amo”, transcorre um feixe de luzes em volta dos dois, construindo e fortalecendo os liames que os une, de forma a consolidar aqueles laços de afetividade, de amor, de querer bem.


Como é bonito viver esses momentos !!


Estou acostumado a ouvir amigos que sofrem demasiadamente e relatam a sua dor por um ente querido não manifestar seu apreço, seu carinho, sua estima - seja sua esposa, seu marido, filho, filha, nora, neta, e por aí vai.


Engraçado o ser humano, o exemplo da evolução !?!?  As coisas evoluem, as descobertas do HOMEM moderno com sua tecnologia de ponta, os laboratórios com suas pesquisas nos apresentando remédios fantásticos, a tecnologia com a velocidade da informação onde em tempos recentes nem haviam condições de se imaginar. E o ser humano, ainda hoje, fazendo uso de suas queixas habituais.


Um pai ou uma mãe, defronte ao terapeuta, falando de forma triste, sentida, que trocaria muitas coisas, gratas e importantes, por um gesto de carinho de um ente querido.


Meu Deus!


Com toda a evolução acima citada, e o que ainda está por vir nos próximos anos, o ser humano pouco sabe lidar consigo mesmo, não é verdade?


Quantos e quantos se vêm nesta situação, de ter o bem material que querem, porém, o que gostariam mesmo de ter, pouco ou nada têm. O carinho, o afeto, o reconhecimento e a gratidão poucos realmente vivenciam. Certamente uns privilegiados !!


Mas, sejamos honestos e sinceros. Pouco se faz para que isso aconteça. Aí vem a pergunta: Porque? Porque somos duros, turrões, envergonhados, sem jeito, preconceituosos em darmos um abraço cheio, gostoso - aquele abraço integral, maravilhoso, que nos transporta a sensações de esplendor de amor.


Amor por todos os poros e lados. Beijar a quem amamos, às vezes, é algo intransponível aos nossos preceitos, preconceitos, formação, vergonha... Por isso sofremos.


E, diante do terapeuta, envergonhados de não sabermos e/ou não conseguirmos fazer, contamos nosso sofrimento interior por não ouvirmos:


Eu te amo !!


Não é fácil, porém, nada intransponível.


Outro dia assisti, em uma sala de espera, uma paciente, com extremo retardo físico, olha sempre para seus pais - adotivos - e os abraça, feliz, muito feliz, irradiando amor por todos os lados e emite seus sons de alegria, carinho, candura e querer bem. Ela assim se manifesta quando quer expressar seu sentimento de amor e reconhecimento.


Que felicidade nessa família, apesar da provação muito forte que habita seus dias, por sua existência !!


A experiência do amor fraternal nos faz mais dóceis, mais pacientes, calmos e tranqüilos. Faz-nos estar bem conosco mesmo e dilata e expande nossos valores morais, como a capacidade de amar, a capacidade de perdoar - inclusive a nós mesmos - a capacidade de tolerar, de sublimar, de abraçar a PAZ...


A inspiração para escrever me veio maravilhosa, quando as ouvi - ontem de Miro Nandes e Paula Nolf, queridos e tão espontâneos amigos, e hoje, de novo, de minha filha Angela.


Vamos exercitar essas três palavrinhas iniciando conosco mesmo. Quem não consegue se amar integralmente, precisa rever o que não se perdoou ainda.


Busque, análise e reflita, para então, se perdoar de suas faltas, das coisas que deixou de fazer, do que fez de forma errada...


Nunca é tarde para dizer verdadeiramente aos seus pares, a seus entes queridos...


EU TE AMO !!


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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O Espelho da Vida

© Walmir Lima
O Espelho da Vida

A postagem anterior levou-me a conversas e reflexões com amigos sobre a figura da grande “Ilusão da Vida” refletida no espelho.
“Espelho”, esse meu confidente querido e sincero, com quem converso todos os dias, e que me joga as verdades literalmente na cara.
As verdades mais agudas sobre a ilusão da parte mais importante da minha vida, que já me fez mudar de rumo tantas vezes e que teimo em esconder... mas, verdades de outrora, que brotam em forma de poema...

-o0o-
Filhos...
O rosto do fruto
Espelhado no meu
Um só
Eu e o fruto
Estou em mim e no fruto
E na travessia
Entre eu e o fruto
De forma tão sensível
Que o fruto seja meu princípio...
-o0o-
Ledo e rotundo engano meu !!

Mas a notada e repetida presença da parábola do espelho, em meio às minhas últimas reflexões e textos, também me fizeram lembrar uma linda música composta pelos maravilhosos João Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro, chamada “Além do Espelho”, que tem mesmo algo ou muito a ver com o que um dia idealizei.


Além do Espelho

Quando eu olho o meu olho além do espelho
Tem alguém que me olha e não sou eu
Vive dentro do meu olho vermelho
É o olhar do meu pai que já morreu
O meu olho parece um aparelho
De quem sempre me olhou e protegeu
Assim como meu olho dá conselho
Quando eu olho no olhar de um filho meu

A vida é mesmo uma missão
A morte é uma ilusão
Só sabe quem viveu
Pois quando o espelho é bom
Ninguém jamais morreu

Sempre que um filho meu me dá um beijo
Sei que o amor do meu pai não se perdeu
Só de olhar seu olhar sei seu desejo
Assim como meu pai sabia o meu
Mas meu pai foi-se embora num cortejo
E no espelho eu chorei porque doeu
Só que vendo meu filho agora eu vejo
Ele é o espelho do espelho que sou eu

A vida é mesmo uma missão
A morte é uma ilusão
Só sabe quem viveu
Pois quando o espelho é bom
Ninguém jamais morreu

Toda imagem no espelho refletida
Tem mil faces que o tempo ali prendeu
Todos têm qualquer coisa repetida
Um pedaço de quem nos concebeu
A missão do meu pai já foi cumprida
Vou cumprir a missão que Deus me deu
Se o meu pai foi o espelho em minha vida
Quero ser pro meu filho o espelho seu

A vida é mesmo uma missão
A morte é uma ilusão
Só sabe quem viveu
Pois quando o espelho é bom
Ninguém jamais morreu

E o meu medo maior é o espelho se quebrar
Meu medo maior é o espelho se quebrar
Meu medo maior é o espelho se quebrar
Meu medo maior é o espelho se quebrar

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sábado, 2 de fevereiro de 2013

A Ilusão da Viagem

© Walmir Lima
A Ilusão da Viagem

Na vida, há dois tipos de viajantes.
Aqueles que olham no mapa,
E aqueles que olham no espelho.
Aqueles que olham no mapa estão partindo.
Aqueles que olham no espelho estão voltando para casa.

Antes dessa viagem, eu olhei no espelho.
Nesse momento, aprendi a não olhar para trás.

Nos cais e nas plataformas
Não se deve olhar para trás.
Porque, se olharmos,
Essa imagem continua viva...
Como uma promessa !!

Como disse Orson Welles:
"Nós nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e morremos sozinhos. Somente através do amor e das amizades é que podemos criar a ilusão, durante um momento, de que não estamos sozinhos".

Entendi isso, Mr. Welles, faz tempo...
Tudo...
Tudo, não passou mesmo de
Ilusão !!

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Azenhas do Mar

© Walmir Lima
Azenhas do Mar
Um lugar onde eu gostaria de passar meus últimos dias

Estive lá nos anos 90, num lindo mês de Agosto, e seu nome surgiu em conversa há dois dias com o amigo António Tapadinhas, quando me lembrei da viagem que fiz a esse paraíso.

Azenhas do Mar é uma aldeia no litoral do conselho de Sintra, freguesia de Colares, no Vale do Tejo. Desenvolvendo-se ao longo de uma ribeira (linha de água) que corre para o Atlântico e quebra as arribas da costa, e na qual existiam azenhas (daí o nome). Tem na base uma praia na qual existe uma linda piscina oceânica (vide foto).

Para além do pitoresco da paisagem natural, existem nas Azenhas, várias edificações de interesse, particularmente no Estilo Português Suave, com azulejaria nas fachadas, como é o caso da Escola e da residência do Professor.

Fazendo parte dos roteiros turísticos de Portugal, Azenhas é atualmente o local de segunda habitação de muitos, sendo que a sua população residente se situa por volta dos 800 -1.000 habitantes.

Tradicionalmente, além da atividade de moagem, as principais atividades eram a agricultura, com especial destaque para o vinho e alguma pesca e recolha de mariscos (percebes e lapas).

Da memória do povo do mar ficou devoção a Nossa Senhora do Mar, mas sobretudo celebra-se São Lourenço, santo padroeiro da terra e protetor da vinha, cuja procissão se realiza todos os anos em Agosto.

Fazendo fé nos santos, o povo os carrega até à beira mar para a espetacular "bênção" - Azenhas do Mar, ela própria, a bênção do Atlântico !

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Santana de Parnaíba - O Brasil que o Brasil Precisa Conhecer

© Walmir Lima

Santana de Parnaíba

Aldir Blanc, na cabeça de cada estrofe de sua música “Querelas do Brasil” (gravada por Elis Regina) disse:

O Brasil, não conhece o Brasil
O Brasil, nunca foi ao Brasil
--------
O Brasil, não merece o Brasil
O Brasil,  tá matando o Brasil
--------
Do Brasil S.O.S. ao Brasil
Do Brasil S.O.S. ao Brasil...

Sábias palavras do querido compositor.  Elas são a mais pura verdade!!
Um exemplo ?
Já publiquei no Facebook algumas fotos, todas comentadas (vide álbum), sobre Santana de Parnaíba (que muitos escrevem, erroneamente, como “Santana DO Parnaíba”) que não é devidamente conhecida por muitos brasileiros e até mesmo por muitos paulistas e paulistanos.
Dois amigos me mandaram e-mails agradecendo pelas informações publicadas no meu álbum do Facebook disseram que elas despertaram a atenção e o interesse de seus filhos adolescentes e pré-adolescentes que comentaram que aquelas informações, mesmo que simplistas, eram mais atraentes e tinham mais conteúdo do que o material que receberam nas escolas regulares que frequentam.
Não é à toa que o Brasil está apenas no 88. lugar no Ranking Mundial da Educação. Algo de que não podemos nos orgulhar.
Mas, voltando ao ponto, gostaria de passar mais algumas informações interessantes aos meus amigos sobre esse cantinho tão lindo de Brasil que é Santana de Parnaíba.
Sua Prefeitura tem feito um trabalho maravilhoso para sua preservação, conquistando diversos prêmios nacionais e internacionais (incluindo os concedidos pela Unicef e pela ONU).
Todas as outras Prefeituras brasileiras deveriam conhecer seu POEAO – Projeto Oficina Escola de Artes e Ofícios, que teve início em 1999 e cujo slogan é: “Restaurando casas. Construindo cidadãos”.  Sua história é, principalmente, uma história de vida.
Por meio dele, a Prefeitura de Santana de Parnaíba resgata mais do que seu patrimônio histórico (que é simplesmente o maior patrimônio histórico tombado e preservado do Estado de São Paulo), ela resgata a vida e dá oportunidade de carreira para garotos e garotas de toda a cidade.
O Projeto capacita adolescentes para a área de construção civil, oferecendo-lhes um nicho de qualificação com especialização em restauro e conservação de bens culturais, além de incluir socialmente jovens em situação de risco psicossocial, tendo já atendido cerca de 2.400 jovens em 10 anos.
Faltou-me dizer da outra vez que Santana de Parnaíba, uma das cidades mais antigas do país, foi fundada em 1580, ou seja, pouquíssimos anos após a descoberta do Brasil por Pedro Álvares Cabral !!
A cidade está a apenas 35 Km de São Paulo, tem 109 mil habitantes, segundo o ultimo senso de 2010, e é o maior núcleo urbano em taipa tombado em 1982 pelo Condephaat.
Ela ainda resguarda marcas de importantes momentos da história brasileira, que vão do Movimento Bandeirantista ao pioneirismo na geração de energia elétrica com a construção da primeira usina hidrelétrica a abastecer a cidade de São Paulo – a Usina Edgard de Souza, inaugurada em 1901 – represando as águas do rio Tietê.
Entre seus moradores ilustres estão nomes que lembramos desde nossas aulas de História, no ensino Fundamental (nosso antigo Curso Ginasial), como os Bandeirantes Bartolomeu Bueno da Silva (o Anhanguera), Fernão Dias, André Bernardes e Domingos Jorge Velho, que fizeram do lugar um ponto de referência para as expedições desbravadoras. Quem tem noção do tamanho do Brasil, tem noção do tamanho de sua importância.
Santana de Parnaíba é conhecida por sua hospitalidade.  Cheia de atrações, clima bom, boa música no Coreto da Praça Quatorze de Novembro todos os Sábados e Domingos, além de uma comidinha gostosa, Santana de Parnaíba é também conhecida por suas festividades e atrai turistas longo de todo o ano.
Das festividades, talvez a mais conhecida em termos nacionais, é a Festa de Corpus Christi (celebrada no dia 7 de Junho e muito divulgada na televisão), por sua beleza, colorido e criatividade, se constituindo em uma das maiores manifestações religiosas do Estado de São Paulo. Ela atrai milhares de visitantes às ruas do Centro Histórico que são ornamentadas com um tapete de serragem colorida de 850 metros, confeccionado pelos moradores, numa saudável disputa para ver quem faz a mais bonita ilustração tendo como tema motivos religiosos.
O resultado sempre surpreende pelo capricho e pela perfeição, tornando-se muito difícil escolher a melhor.
Em seguida, vêm a missa e a grande procissão, que complementam o evento.
Por fim, um detalhe de sua modernidade e do seu pioneirismo (que está em seu DNA) e que, infelizmente, não é encontrado nem em cidades mais badaladas:  Administrada pelo Cintur – Centro de Informações Turísticas, Santana de Parnaíba oferece, gratuitamente, uma rede Wi-Fi para navegação na internet nas ruas e nas praças, através de várias antenas distribuídas pela cidade.
Mais um pioneirismo de Santana de Parnaíba

A Cidade Histórica da Simpatia !!



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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Nostalgia

© Walmir Lima
Nostalgia

No primeiro momento de verbosidade, nada melhor que falar do passado. Ainda mais alguém como eu, com meus tantos anos, tem muito passado pra falar.

Mas nem é este meu ideal, o que eu quero mesmo é dizer que estou com saudades. Saudade de pessoas, momentos, lugares, situações e... de mim.

Saudade de tanta coisa, que viver o presente às vezes nem faz sentido. Dorzinha que fica incomodando, me fazendo chorar escondido e em público.

Há um poema que encontrei rabiscado num caderno meu, do passado, que fala assim da saudade:

"Saudade…

Eu conheço essa palavra
Desde que eu era criança
Saudade de gente ausente
Não é saudade, é lembrança
Saudade só é saudade
Quando se perde a esperança

Fui eu que fiz a saudade
Plantada na minha mente
Semeei no meu canteiro
Num dia de sol bem quente
Outro poeta só planta
Se me pedir a semente

Quem quiser plantar saudade
Planta com sol na terra quente
Porque se plantar no molhado
Ela cresce e mata a gente

Mas, você nunca deixa essa planta
Crescer no seu coração
Ela é amiga da tristeza
Companheira da paixão
E faz você viver sozinho
No meio da multidão

Saudade é dor que dói
Mas não é dor de doer
É vontade de lembrar
Com vontade de esquecer
É dor de dentro e machuca
Mas, onde dói ninguém vê
E a gente pega e cutuca
Pra não parar de doer

Saudade é como parafuso
Quando na rosca cai
Só entra se for torcendo
Porque batendo não vai
E quando enferruja dentro
Nem destorcendo sai

Saudade é como resina
No amor de quem padece
Um pau que resina muito
Não morre, mas adoece
É como quem tem saudade
Não morre, mas não esquece

Saudade é nada e é tudo
Saudade é como perfume
Não há balança que possa
Com o peso do ciúme
Que a gente carrega o peso
Mas não conhece o volume"
...

“... É vontade de lembrar com vontade de esquecer... ” Essa frase é uma coisa que sinto muito verdadeira e que expressa quase tudo o que sinto aqui dentro.

Sinto falta de mim, me ando tão distante. Às vezes não me reconheço, às vezes nem me ouço ou vejo. Quero voltar a ser eu. Eu gostava de mim antes. Era uma pessoa legal, divertida, espontânea, atraente…

Podem acreditar: já fui muito mais velho do que sou hoje... Antigamente eu era eterno !!

Tem a parte difícil, que não voltará: minha mãe não ressuscitará, a infância não existe mais, o amor antigo não retornará, aquele abraço perdido na distância da eternidade... não retornará...

"Saudade é não saber...
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos
Não saber como encontrar tarefas que nos cessem o pensamento
Não saber como frear as lágrimas diante de uma música
Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche"

Saudade, às vezes, é sofrer em vão. Mas saudade é assim mesmo:

“A gente pega e cutuca para não parar de doer...!!”    

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