(Mário Quintana)

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quinta-feira, 20 de setembro de 2007

A Parisiense

© Walmir Lima
"A Parisiense"
(Óleo sobre tela pintado por Walmir Lima, aos 10 anos de idade)

Grato pelas palavras nos comentários da postagem anterior, "Amigos Novos, Postagens Antigas", e, devido às perguntas suscitadas, resolvi contar.

Esse quadro, lá publicado, tem uma pequena história...

Aos 10 anos, eu estava perdidamente apaixonado pelo meu primeiro amor, Fanny, uma coleguinha de classe, na Aliança Francesa, e procurei retratá-la num ambiente parisiense.

Acabei caprichando mais nos pontos dela que me fascinavam na época: os olhos e a boca. E até que 'a parisiense' ficou mesmo bem parecida com a linda Fanny.

Fanny era uma menina de família aparentemente abastada e eu, de família humilde, era bolsista no curso que ambos freqüentávamos.

"Nosso amor é impossível. Somos crianças, e, ademais, eu sou judia e você, cristão. Minha família nunca aceitará."

Foi assim que ela, lúcida e conformada, tentou me fazer entender, nos últimos dias do curso, falando diante de um Walmir pasmo e despedaçado.

Foram cinco anos de convívio platônico, maravilhoso e sonhador – quatro anos de "Língua Francesa" e um de “Civilização Francesa”. Nunca me esquecerei do famoso livro didático "Le Mauger" e seu personagem principal, Monsieur Vincent, que nos acompanhou por todo o curso. Que bela recordação!

Foi nessa época que me encontrei deslumbrado pelo mundo da arte, no contato que tive através da biblioteca da Aliança Francesa de Santos. Ficava horas e horas depois das aulas e aos sábados, lendo, olhando as pinturas e textos daquele país maravilhoso e seus estupendos artistas. E sonhando... sonhando... voava em pensamento até Paris, Nice, Marseille, Alsace, Bretagne, Bordeaux...

Na verdade, comecei na pintura aos oito anos de idade, como autodidata, sem saber sequer como misturar as tintas. E nunca aprendi formalmente.

Mas, foi assim, através da pintura, que, aos nove anos, ganhei a bolsa de Francês ao vencer um concurso de pintura que foi promovido nas escolas de curso primário de Santos (hoje, primeiro grau).

Ganhei a medalha de ouro e a bolsa completa de cinco anos.

O concurso interno na Escola Municipal Barão do Rio Branco, foi organizado pela Vice-Diretora, Profa. Ada La Scala, a quem agradeço, eternamente, pelo material de pintura utilizado, já que eu não tinha como comprar.

Jamais esquecerei o brilho dos olhos e o sorriso orgulhoso de D. Raquel, quando disse à classe que eu ganhara o concurso.

Tenho o maior carinho por esta cena que ficou gravada, de maneira indelével, em minha mente.

D. Raquel Leite, meu amor especial, quase materno, minha Professora de classe do curso primário, era uma senhora negra, linda, dentes alvos, corpo e busto avantajados e cabelos começando a agrisalhar, era o símbolo da bondade, da dedicação generosa e do amor.

Ela tinha orgulho de mim. Era, absoluta e totalmente, recíproco.

Dois anos mais tarde, eu ganharia outro concurso semelhante - o de pintura, da Società Italiana di Beneficenza, cujo primeiro prêmio era, também, uma medalha de ouro e uma bolsa completa de estudos de Língua Italiana, que teve duração de dois anos.

Foi mais um "banho" de arte e de cultura que tive sobre o berço da nossa civilização.

Fiquei 32 anos sem ver esse quadro, "A Parisiense".

Hoje, ele pertence ao acervo de minha primeira esposa, Clélia, que, há poucos dias atrás, gentil e carinhosamente, me enviou essa foto, via torpedo, no celular.

Quanto a voltar a pintar... bem que eu penso... desejo... tento...

Meu cavalete está armado na sala há anos, com todos os apetrechos ao lado e uma tela em branco, à espera do momento.

Minha forma de vida, junto com minha arte, persistem, tormentosamente, inacabadas.

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quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Amigos Novos, Postagens Antigas

© Walmir Lima
"A Parisiense"
(óleo sobre tela pintado por Walmir Lima, aos 10 anos de idade)

Amigo novo, que chegou agora,

Devido a fatores pessoais e profissionais, não tenho tido muito tempo para postar ultimamente.

Assim, agradecendo a compreensão, tomo a liberdade de sugerir a você algumas matérias anteriores - que foram as mais comentadas - para sua leitura enquanto reuno forças para voltar:

- "Bloguei - Por que bloguei?" - 19.02.2007
(A postagem de abertura do 'O Centauro')
- "Pequeno Segredo" - 20.03.2007
- "Cora Coralina - A Casa Velha da Ponte" - 28.03.2007
- "Jorge Lemos - Rio Doce" - 31.03.2007
- "Enigma do Destino" - 04.04.2007
- "A Oração do Centauro" - 13.04.2007
- "Clarice Lispector - A Hora da Estrela" - 05.05.2007
- "Amor Virtual - Era uma vez na Internet" - 05.05.2007
- "A Vida é Uma Poesia" - 20.05.2007
- "A Lua Azul me contou..." - 01.06.2007
- "Lua Azul (Blue Moon)" - 02.06.2007
(contendo áudio com Walmir cantando a música 'Blue Moon')
- "Abrir o Coração" - 04.06.2007
- "Saber Viver" - 08.06.2007
- "A Mão de Deus" - 11.06.2007
- "As Benditas Mãos de Dona Chiquita" - 04.08.2007

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sábado, 15 de setembro de 2007

Tribuna do Centauro VII - Desistir, Omitir-se: NUNCA!

© Walmir Lima

A Nação é um dos nossos maiores patrimônios como cidadãos.

Está faltando ao povo brasileiro entender que não somos tão impotentes assim. Temos a maior e melhor das armas: O VOTO.

É preciso pensar melhor ao escolher os candidatos da próxima vez...
e na próxima...e na próxima...e na próxima...

E seguir, incansavelmente, transmitindo esse conceito aos filhos, alunos, parentes e amigos.

Desistir, Omitir-se: NUNCA!


Tribuna do Centauro

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quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Tribuna do Centauro VI - Senado Brasileiro

© Walmir Lima

Tribuna do Centauro


Brasil, 12 de Setembro de 2007:


V E R G O N H A !

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segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Tribuna do Centauro V - Orgulho de Ser Brasileiro

© Walmir Lima
Ministro Joaquim Barbosa, STF

Temos muita podridão nos três Poderes, e vivemos a criticá-la. Mas não podemos deixar, também, de enaltecer brasileiros dignos, que o merecem, por seu comportamento e postura - estes, sim, nossos legítimos representantes. Gente como os senadores Jefferson Peres e Pedro Simon, entre outros.

Hoje, queremos fazer um destaque conjunto, entre 'O Centauro' e o 'Sombras e Fragmentos', ao Ministro Joaquim Barbosa, da mais alta corte da Justiça brasileira, o Supremo Tribunal Federal, que, com sua denúncia do chamado Mensalão, de forma implacável e resultado arrasador, colocou os "mensaleiros", juntamente com o Govêrno e o PT, no banco dos réus, em julgamento histórico no STF.

Ainda existem bons e honrados brasileiros que merecem ser lidos, louvados e aplaudidos. Ou ficaremos alienados definitivamente.

Nosso intelecto não permitiria.

Walmir Lima e Jorge Lemos.


(Imagem: Celso Junior/AE)

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sábado, 1 de setembro de 2007

Tribuna do Centauro IV - Reflexões de um Senador

© Walmir Lima

Tribuna do Centauro

Reflexões de um Senador


Paira nos ares do país um sentimento de desilusão e de revolta contra a política nacional. Mas, é bom lembrar, e dizer, que aqui também existem homens, políticos, que ainda nos dão orgulho de sermos brasileiros.

Clique no link abaixo e leia mais...Existem homens e políticos, com intelecto e decência, como um
Jefferson Peres (AM), como um Pedro Simon (RS), que nos fazem crer que é possível acreditar num futuro digno para nossos descendentes.

É preciso lutar e estimulá-los a lutar, para que não se desiludam,
a ponto de desistirem, e nos deixarem órfãos a todos.

Leiam esse texto, de autoria do Senador Pedro Simon, homem
que nos faz ter a certeza de que ainda temos, sim, legítimos representantes.

Reflexões de um Senador...

"Quando ingressei na vida pública, há cinco décadas, eu apertei o
botão de subida do elevador da política, no seu sentido mais puro.
E ele subiu. Parou em muitos andares. Abriu e fechou.

Muitas vezes, parecia que as portas emperravam, presas a grades
e a paus-de-arara. Mas, mesmo assim, abriam-se, com o esforço
de todos os passageiros.

Havia uma voz, que anunciava cada etapa dessa nossa subida,
na busca do destino almejado por todos nós.

"Liberdade", "democracia", "anistia", "diretas-já".

Não era uma voz interna. Ela vinha das ruas, e ecoava de fora para
dentro.

Vi gente descer e subir, em cada um dos andares deste edifício
político. Comigo, subiram Ulysses, Tancredo, Teotônio.

Já nos primeiros andares, vieram Covas, Darcy. Mais um ou outro
andar, Lula, Dirceu, Suplicy. Outros mais, Marina, Heloísa.

De repente, o elevador parou entre dois andares. Alguém mexeu,
indevidamente, no painel. Parece que alguns resolveram descer
e fizeram mau uso do botão de emergência.

O Covas, o Darcy, o Ulysses, o Tancredo, o Teotônio já haviam
chegado a seus destinos.

Sentimos, então, uma sensação de insegurança e de falta de
referências. Apesar dos brados da Heloísa, parecia que nada
poderia impedir a nossa queda livre.

A cada andar, uma outra voz, agora de dentro para fora,
anunciava, num ritmo rápido e seqüencial:

"PC", "Orçamento", "Banestado", "Mensalão", "Sanguessugas",
"Navalha", "Xeque-Mate".

Alguns nomes, eu nem consegui decifrar, tamanha a velocidade
da descida.

E o elevador não parava. Nenhuma porta se abria. Haveria o térreo,
de onde poderíamos, de novo, ganhar as ruas. É que imaginávamos
que seria o fundo do poço do elevador da política. Qual o quê, não
sabíamos que o nosso edifício tinha, ainda, tantos, e tão profundos,
subsolos. Daí, a sensação, cada vez mais contundente, de que o
baque seria ainda maior.

Quantos seriam os subsolos?

Até que profundezas suportaríamos nessa queda livre?

Mais uma vez de repente, o elevador parou, subitamente. Uma
fresta, uma sala, uma discussão acalorada. Troca de insultos.
Uma reunião da Comissão de Ética da Torre Principal do Edifício.

O Síndico teria pago suas contas pessoais com o dinheiro do
Condomínio, através do funcionário do lobby de um outro edifício.
E, por isso, teria, também, deixado de pagar pelos serviços de
manutenção do elevador.

Mais do que isso, o zelador também não havia recebido o seu
sagrado salário, para o pão, o leite, a saúde e a educação da
família. Idem o segurança.

Mas, havia algo estranho naquela reunião: os representantes
dos condôminos, talvez por medo de outros sustos semelhantes,
em outros solavancos do elevador, defendiam, solenemente, o
Síndico.

Ninguém estava interessado em avaliar a veracidade das suas
informações. Nem mesmo as contas do Condomínio. Queriam
imputar culpa ao zelador e ao segurança. Ou, quem sabe, teria
o tal Síndico informações comprometedoras, gravadas nos
corredores soturnos do edifício, a provocar tamanha ânsia
solidária?

Não se sabe, mas, tudo indica, isso jamais será investigado,
enquanto vigorar a atual Convenção de Condomínio.

Há que se rever, portanto, essa Convenção.

Há que se consertar esse elevador.

Há que se escolher um novo ascensorista.

Há que se eleger um novo síndico.

Há que se alcançar o andar da ética.

A voz das ruas tem que ecoar, mais alto, nos corredores
deste edifício. A voz de dentro, parece, insiste em continuar
violando os painéis de controle. Até que não haja, mais,
subsolos.

E, aí, o tal baque poderá ser irreversível. Não haverá salas de
comissões de ética. Porque não haverá, mais, ética.

Quem sabe, nem mesmo, edifício."

Senador Pedro Simon (RS)


(Colaboração: Mari Carso Cunha e Ricardo Meneghin)

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