(Mário Quintana)

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sábado, 31 de março de 2012

Eu Mesmo

© Walmir Lima


Estou em Paris, sentado às margens do Sena, La Rive Gauche, em um café ao lado da Depart Saint-Michel.

Não conheço uma única pessoa e não escuto o que dizem.

Eu vejo rostos - gente que nunca encontrei.

E me pergunto:
Quem são elas, o que elas fazem, e onde moram?

É estranho, pois é como se soubessem que penso nelas…

Um delicioso ‘confit de canard’, uma taça de vinho, uma água e um café…

De onde estou posso contemplar o Rio Sena e um poético pôr de Sol…

Eu fico só, escrevendo. Pouco importa se ninguém jamais ler o que escrevo.

E não me importa se meus escritos, minhas pinturas, meus quadros, minhas fotografias são bem diferentes entre si.

Através dessas diferenças, sempre procurei minha própria verdade - inconscientemente no começo, voluntariamente depois.

E, se minhas obras parecem cada vez ir por um caminho diferente, é porque elas correspondem a uma etapa da minha evolução pessoal.

Eu não quero ser famoso, eu só quero estar lá, com meus sonhos.

É melhor ser ninguém em algum lugar do que ser alguém em lugar nenhum.




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segunda-feira, 19 de março de 2012

Strana Madrina

© Walmir Lima


"O homem nasceu livre e, por toda a parte, vive acorrentado."
                                                            Jean-Jacques Rousseau


A Esperança

Sua mente é um cemitério,
Seu coração é uma ilha.

Ela e eu não somos bons amigos,
Mas eu a conheço a vida toda.

Senta-se em mim,
Vazia e distante,
Mas suas palavras de encorajamento
Não me ajudam.

Sei de seus truques,
De suas falsas promessas.

Peço que me deixe:
"Tenho mais o que fazer!"
Mas esta conhecida
Nunca sabe quando partir.

Não é uma questão
De por que ela me quer bem.
É mais uma questão
De por que eu a deixo ficar.


Este sentimento me fez lembrar Platão...

Platão criou uma imagem memorável para as falsas crenças e ilusões de que, não raro, sofremos. Ele escreveu que somos todos como habitantes de uma caverna, acorrentados ao solo, olhar voltado para sombras que percorrem uma parede. Sombras que tomamos por realidades.

O primeiro homem a escapar da caverna da ilusão em que, segundo Platão, vivemos é o filósofo - aquele dentre nós que consegue perceber que vivemos, de certa forma, vidas de ilusão, aprisionados por sombras e correntes que não foram criadas por nós.

Ao voltar à caverna com seu estranho relato de outras realidades, ele será aclamado por alguns e vaiado por outros.

Tendemos a nos acomodar às nossas ilusões. Assim, somos facilmente ameaçados por quaisquer relatos estranhos de realidades maiores.

Mas, o verdadeiro filósofo tenta libertar o máximo de companheiros cativos, para que vivam nas realidades mais amplas e brilhantes que residem além dos estreitos limites de suas percepções costumeiras.

A meta da Filosofia é nos libertar da ilusão e nos ajudar a captar as realidades mais fundamentais.

Deveríamos nos perguntar: Sob que ilusões estamos vivendo agora? Que coisas valorizamos sem que realmente tenham a importância que lhes são atribuidas? Que coisas realmente valiosas podemos estar ignorando? Que suposições fazemos sobre nossa vida que podem se basear em aparências, em vez de realidades?

A maioria das pessoas está acorrentada por todo tipo de ilusão.

A estranha madrinha de todas elas...

A Esperança !


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