(Mário Quintana)

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quinta-feira, 23 de agosto de 2007

As Maravilhas do Ser Humano

© Walmir Lima
O ser humano é capaz de coisas maravilhosas.
Senhoras e Senhores!...
E agora...Para alegrar a vida...

The Adler Trio

The Adler Trio, de Israel, é composto por:

Dror Adler, Michal Adler-Gronich, sobrinha de Dror

e Jacob Kol

A música é "Medley Gipsy"

The Adler Trio...World's Leading Harmonica Trio

www.adlertrio.com

Veja, também, no Prozac Café: "Relaxa e... Tenta de Novo"

(Colaboração: Joici)

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sábado, 18 de agosto de 2007

Fases da Vida

© Walmir Lima
E o Tempo se foi....


Nessa fase em que a perda
ainda dói, desespera...
Um eu torto, torcido, um eu todo partido
À espera da vida, à espera do nunca.
Recomeçar todo dia, renovar cada dia,
Sem forças pra nada.
Esse eu distraído, à espera da sombra,
À espera da bomba, pra mudar o mundo.
Este sonho profundo, que o dia não vem...

E o tempo se foi...



(Imagem: JeunneHommeNu_Mosaic)

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sábado, 4 de agosto de 2007

As Benditas Mãos de Dona Chiquita

© Walmir Lima

As Benditas Mãos de Dona Chiquita


Eu, como toda criança ativa e estudiosa, mas irrequieta e criativa, fiz alguma 'arte' e mereci umas palmadas.

Mas, várias vezes, apanhei no lugar de meu irmão mais velho, Valdir, que aprontava feio e sobrava pra mim. Outras, eu aprontava, e sobrava pra ele...
.

Quantas e quantas vezes ela o pilhava cabulando aula no antigo e famoso Campo do Praia. Ele ficava de castigo, de cara para a parede, e eu apanhava porque não tinha contado para ela onde ele estava.

Meu senso de justiça ficou aguçadíssimo. Foi mais uma forma de aprender. E Dona Francisca Lima, matriarca de filhos homens (mais conhecida como Dona Chiquita), fazia questão de ensinar tudo 'direitinho'.

Ontem, dia 2, você se foi para sempre. E, no seu velório, no nosso último adeus, eu estava acariciando suas mãos e lembrei-me de todas essas coisas.

E ali, ao beijá-las pela última vez, o que me lembrei foi, mesmo, dos carinhos daquelas benditas mãos que me ampararam e me envolveram junto a seus braços, enquanto ela me amamentava, enquanto curava meus ferimentos das brincadeiras nas ruas e no quintal, e enquanto afagava meus cabelos, para me fazer dormir.

Muitos poderão não acreditar, mas me lembro perfeitamente de mamar e de ficar acompanhando, com o dedinho, os caminhos das pequenas veias em seu seio. Lembro do perfume, do talco e da lavanda Cashmere Bouquet e da Água de Colônia 4711 que usava. Jamais esquecerei.

Foi também lembrando tudo isso que me veio à mente escrever este tributo às benditas mãos de mamãe.

Sempre achei que apanhar de minha mãe fazia parte da vida.

Podia haver alguma suposta injustiça na hora da execução da pena, quando, por exemplo, num aparente erro judiciário, 'paguei o pato' por uma traquinagem do meu irmão, ou ele, por uma travessura minha.

Mas, quando isso acontecia, a punição era bem merecida porque sempre tínhamos alguns delitos ocultos em nossas molecagens.

Quando já tinha passado o meu tempo de levar umas bordoadas maternais de palmatória, surgiram novos conceitos, digamos, educacionais, que aboliam desde o tabefe mais brando até a bronca, proferida pela voz dos pais numa escala cromática em que os semitons nem alcançavam a amplitude dos berros educativos.

Eram os novos tempos da liberdade sem medo, a partir da meninada de Summerhill, uma das pioneiras dentro do movimento das escolas democráticas. Dos métodos desse ou daquele, que passaram a ser aplicados, no lar e na escola, com açúcar e com afeto, sem imposição de limites.

Imaginava-se, então, que a criançada dos novos tempos estaria imunizada contra os vícios e defeitos da geração que adolesceu nos anos 50 dançando o diabólico rock-and-roll, vislumbrando, em grave luxúria, as ancas "imperceptíveis" de Brigitte Bardot, indo às matinês dos domingos, jogando futebol nas pacatas ruas transversais de Santos, ouvindo rádio e tomando Guaraná Caçula.

Tinha-se a certeza de que a nova geração, sem tapas nem castigos, estaria vacinada contra as drogas, a violência, as frustrações, o medo, a depressão, a insegurança, os vazios da personalidade, as falhas de caráter, as ambições e o materialismo.

Lembro-me dos 'equipamentos de tortura' disponíveis no casarão de minha infância, à Avenida Ana Costa, 290, com os quais minha mãe, a seu modo, e com a melhor das intenções, tentou evitar que os filhos seguissem o temível caminho do mal.

Claro que não faltaram o açúcar e o afeto. Também o conselho e o exemplo foram bons ingredientes da eclética receita educativa indígeno-baiana de minha querida e esforçada mãezinha, persistente diante de minha teimosia, de nossas reincidências e de nossas incuráveis malcriações.

Mas o arsenal utilizado (palmatória e cinto), nos momentos mais críticos de nossas insubordinações e desvarios, foi fatal. E utilíssimo.

Antes de tudo, o olhar 'a laser', com que minha mãe, tão simples, se antecipava às ciências do futuro.

Em seguida, vinham suas próprias mãos, que se transmudavam da maciez plena de ternura e de proteção, para o tapa irrepreensível, ou para o ético e literal puxão de orelha (aliás, não me lembro de minha mãe ter me dado um puxão de orelha...).

Havia, também a imensa colher de pau, feita por meu avô, Seu Francisco, Marceneiro. Exatamente aquela que, nas mãos de minha mãe, girava nas panelas e tigelas a produzir meus mingaus preferidos, de aveia e de maizena, os bolos, que só ela sabia fazer, e o fabuloso doce de leite da 'vó' Adelaide.

Finalmente, a artesanal correia de couro, feita pelo bondoso sapateiro da Rua Pedro Américo, seu Afonso, encomendada por minha avó, e que se pendurava atrás da porta da cozinha, como uma permanente e bíblica advertência, de que sempre haveria limites e regras a respeitar.

A correia atrás da porta era um ícone da punição que, em verdade, dependia de mim. Eu colhia amor, doçura, compreensão, exemplos, e era tangido para o futuro com a força de persuasão do olhar, da palavra, do silêncio ou do castigo.

Aprendi que a vida imporia limites. A vida diria "não"! Fecharia portas. Não daria tudo. Às vezes, a vida tiraria tanto. E golpearia pelas costas, sem amor, sem ternura, sem ser para corrigir, ou para educar ou para mostrar o caminho. Mas, aprendi também que isso não impede o passo, nem o caminhar em linha reta.

Por isso acredito em minha verdade: bem-aventuradas as mãos que me feriram, às vezes. Mas que, muito mais, me acarinharam, me ampararam, me alimentaram e me abençoaram sempre.

Agora, que se foi, sinto falta das Benditas Mãos de Dona Chiquita.


(Foto da carteira de identidade, datada de 06 de Agosto de 1946, aos 34 anos)

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sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Agradecimento

© Walmir Lima
Como não tenho outro meio de contato com a maioria das pessoas que acessam O Centauro, aproveito para fazer um agradecimento, aliás, dois agradecimentos...

O primeiro, a Deus, pela graça de ter tido minha mãe, como ela foi para mim, e, também, por Sua divina bondade, em ter concedido a ela, agora, uma passagem tão tranqüila e serena.

O outro agradecimento que quero fazer é dirigido aos amigos que me lêem, por seu carinho e afeto em suas manifestações, preces e palavras.

Que Deus os abençoe, a todos, como tem abençoado a mim e minha família.

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