(Mário Quintana)

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quinta-feira, 3 de junho de 2010

Piero Lucas - Que Deus Te Cuide

© Walmir Lima
Piero Lucas aos 3 dias de vida

Já há algum tempo queria escrever algo para meu novo netinho, Piero Lucas, que nasceu no último dia 31 de Março.

Demorei um pouco para encontrar a palavra certa, porém, ela veio até mim da melhor forma - em forma de oração. Não poderia haver melhor maneira de dizer:

Te amo, Pierinho, que Deus te cuide.


Que Deus te cuide com carinho,
Que te indique o melhor caminho,
Que te ensine sobre o verdadeiro amor,
Que te perdoe quando preciso for.

Que Deus te dê asas para voar,
Nos sonhos te ajude a pousar.
Mas, também te mostre a realidade
Que terás que enfrentar
Sem nunca, por nada, recuar.

Que Deus te dê forças para encarar
Tudo aquilo que não tens como mudar
Ou sequer alterar.

Que Deus te mostre com clareza
A grande e real beleza
De um jardim florido,
De um bom livro,
De uma poesia que fale de saudade,
De uma calma paisagem.

Que Deus te faça compreender
Porque amanhece antes de anoitecer,
Porque o Sol se esconde quando a Lua quer brilhar
E porque o Sol brilha quando ela vai descansar.

Que Deus te faça ver
Que no sorriso de uma criança
Mora toda a esperança
Que precisas pra viver.

Que Deus faça de ti um ser sensível,
A exemplo de teu pai,
Que seja capaz de chorar
Sem jamais se envergonhar.

Que Deus possa te mostrar
Que cada onda do mar
Devolve tudo que ousa levar,
Afinal, não tem intenção de roubar
O que em terra deve ficar.

Que Deus te ensine sobre a dignidade,
Sobre a força e a fragilidade,
Sobre a coragem e a honestidade.

Que Deus te ofereça amigos verdadeiros
E que tu saibas cultivar
Cada amizade que em tua vida Ele plantar.

Que Deus te ensine a fé,
E que te faça Nele crer
E que te permita aceitar
Que, por pior que seja a cruz
Que tenhas que carregar,
Com o peso que teve a Dele, nunca será.

Que Deus te dê saúde,
Que teu corpo, por dentro, nunca mude
E que, ao envelhecer, tu possas dizer
Que tua maior felicidade foi viver.


Bem-vindo a esse mundo, netinho,

E que Deus te proteja!

Um beijo do vô

Walmir







(Um beijo especial à minha prima Dedê pelos bons fluidos, textos plenos de positividade e palavras de elevação espiritual que, com sua fibra e mensagens de esperança, me tem presenteado)

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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Um Beijo, de Abius e Abricós

© Walmir Lima
Walmir, aos dois anos, e o irmão, Valdir
Av. Ana Costa 290, Santos


Meu primeiro namoro não passou de um flerte.

Eu devia ter, quando muito, entre cinco e seis anos de idade. Eu era apenas um menino de Santos.

Minha casa, um casarão antigo de seis quartos, ficava no 290 da Avenida Ana Costa, ao lado de uma casa idêntica, onde havia o chamado Clube de Arte, que era uma entidade onde se reuniam artistas plásticos de variadas vertentes - pintores, escultores, artistas cênicos - para aulas, produções e ensaios.

Eu, moleque levado, adorava pular o muro que nos separava do Clube de Arte. Do outro lado havia o Capeto, um pastor alemão capa preta, maior e mais pesado que eu e que montava guarda nos quintais do casarão.

Eu driblava o "adorável cãozinho" pulando do alto do muro, que separava as duas casas, direto para os galhos das árvores desse vizinho. Ali, então, pegava um monte de abricós e de abius, uma fruta pegagenta, porém suculenta, que é, talvez, a fruta exótica mais marcante da minha infância.

O problema era fazer o caminho de volta com uma só mão, tendo a outra a segurar uma tonelada das benditas frutas enroladas na camisa, agora amarrada feito sacola, e evitar cair direto nas presas da furiosa besta, que babava de raiva e gana de abocanhar os parcos glúteos do magricela insolente.

Meu primo Arthur, o Tuquinha, ficava do lado de cá, rindo e "torcendo, com certeza", para eu cair e ver o circo pegar fogo. Coisa de moleque mesmo.

Passar de uma árvore para outra, então, era a coisa mais estúpida que qualquer ser, minimamente são, poderia considerar. Mas eu fazia. Dá frio na espinha só de lembrar.

Como recompensa, as frutas eram devoradas, sofregamente, com o coração aos saltos, sentado, já de volta, no chão do nosso terreno, as costas encostadas no muro, e ríamos gostoso aos latidos enfurecidos do derrotado Capeto.

Mas, o que eu gostava mesmo era de ficar observando o movimento dos artistas e dos moradores que dava para se ver e ouvir através das janelas e do longo jardim frontal do Clube de Arte.

Certa feita, entrei no meu quarto e, num relance, vi, na janela da casa ao lado, um rosto feminino me fitando...

Ando de um lado para outro. O olhar me segue, docemente, persistente.

“Não é possível!”, pensei; o peito já palpitando.

Era Raquelzinha, a filha do Sr. Daniel, administrador e residente do Clube. E, assim, ficamos nos olhando, meiga, mas vividamente, por vários minutos, todos os dias que se seguiram.

Guardei segredo do namoro, por dias seguidos. Tinha descoberto as delícias do amor, mesmo sem saber que era, a um só tempo, sagrado e secreto – um amor inconsciente. No terceiro ou quarto dia, chamei minha mãe para comprovar. Mas, pedi-lhe que, para não se fazer notar, ficasse observando, pela fresta da porta.

Minha mãe, tão compreensiva como sempre foi, me explicou direitinho que o filhinho dela tinha vivido um momento de doce ilusão, apesar de que, aparentemente, era correspondido. Recebia, então, minha primeira aula das coisas do coração.

Findava-se assim, também, a aventura amorosa inaugural da minha vida.

Doce ilusão de minha infância - infância que os anos não trazem mais.

Desde então, aprendi que Nada é. Tudo depende de quem vê. Ilusões que morrem para renascer.

A vida me ensinaria, também, que não basta entender o olhar do outro. É fundamental ajudar o outro a decifrar, corretamente, o seu próprio olhar, com todos os enigmas, com toda sorte de exclamações, de interjeições, de interrogações e reticências que perpassam a vida de um ser humano.

Raquelzinha, de caso pensado ou não, acabaria me abrindo os olhos para ver melhor o olhar do outro. Esse o milagre, que haveria de facilitar minha convivência com o eterno feminino.

A crônica de minha vida é um testemunho incontestável das amizades que fiz e, agradecido, ainda faço no universo mitificado das mulheres.

Vinicius de Morais cantou a mulher amada - em qualquer sentido que se tome o verbo cantar - e disse: “A mulher é coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável…”

Olavo Bilac cantou a mulher-mãe: “Ser mãe é desdobrar fibra por fibra o coração”.

Subscrevo, com o maior fervor, a exaltação da mulher em qualquer chave da escala humana. Amo-as, no esplendor dos meus sustenidos e no sussurro dos meus bemóis.

Tão partícipes da minha vida afetiva quanto tantos amigos que também andam me celebrando por todos os meus dias.

Meu passado não é uma ilusão de ótica. É uma indizível realidade. Tão concreta quanto o momento presente que estamos vivendo, juntos, agora.

Bendito seja o passado que me culmina de tantos amigos e de tantas amigas.

Duvido que haja neste mundo sentimento mais puro que a amizade. A amizade, que Armando Nogueira definiu como sendo “O amor sem segundas intenções”…

Bendito passado meu, labirinto que decifro, palmo a palmo, como as linhas das minhas mãos.

Passado meu! Aqui te fala um herdeiro sem jaça, Santista de raça, sem um pingo de cachaça. Quero te dizer que és a pátria amada de todos os meus abraços, de meus mormaços, de tão saudosos amassos, e de tão ardentes enlaços.

Revejo em ti, todos os meus passos, os meus descompassos - o canto primeiro de um certo sanhaço. És a utopia de meus devaneios, de meus anseios, de meus receios.

Em teu leito, deságuam todas as lágrimas de minha vida: Águas de Março, mágoas de Maio.

Palpitam em ti todos os meus ardores, os meus temores, as minhas dores, as minhas flores, de meus mil amores.

Passado meu, és testemunha dos livros que devorei, das cartas que nunca rasguei, dos versos que declamei, das pedras que já pisei, dos vôos em que me alcei, dos mares que naveguei, dos sonhos que embalei, dos lábios que já beijei, dos corpos que decorei, dos rostos que afaguei.

És, enfim, a testemunha jurada de tantos mundos por onde passei e de tantos outros por onde ainda passarei!

Desde aquele primeiro flerte, até o último "deixei de querer-te", muita água rolou - na ponte, por baixo; nas faces, abaixo...

Mas estou só começando, a viver cada dia, saboreando emoções, abricós e abius, e as mais doces frutas do caminho, porque, afinal, queridos amigos, parafraseando Carpinejar, “Envelheci! Tenho muita infância pela frente!”

A todos, um beijo pleno dos lampejos e dos ensejos da nossa eterna amizade.



- o 0 o -


(Aproveito agora para creditar um tributo ao falecido cronista esportivo, Armando Nogueira, em cujas palavras e belas formas de dizer muito me espelho e me identifico; de quem, nós, mortais, vez ou outra, temos de emprestar, já que, depois de Armando, muito pouco resta para ser dito)

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domingo, 9 de maio de 2010

Todas as Mães - Minha Mãe

© Walmir Lima

Todas as Mães - Minha Mãe


Penso em você todos os dias. E, nesse Dia das Mães, não é diferente.

É absolutamente fantástica a tua capacidade de se manter viva em minha vida, em minha consciência. Você se foi há mais de dois anos mas continua presente nos meus dias, nos meus pensamentos.

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Os dias de outono no vestido branco da Mãe. É assim esta planície que não começa e nem termina e existe dentro da vida - a própria vida dentro da existência - caminhos antigos da reminiscência.

Os passos na terra em busca dos rumos. A Mãe atravessando os anos com sua cesta de flores, às vezes, sua lágrima azul na paisagem do esquecimento.

Me lembro desses gestos que habitam a vida. Os dias tristes, os dias felizes, os caminhos ásperos, as palavras silenciosas, mas sempre o brilho da estrela no rosto abrindo o espaço das distâncias e das ausências.

Me lembro, Mãe, do avental, das plantas no fundo do quintal, as abelhas nos cabelos brancos de todas as Mães - todas as Mães deste aceno branco que se estende num varal de lembranças, de todas as saudades, noites, dores - sentidos de todas as vidas.

Me lembro, Mãe, do gesto silencioso nos dias mais quietos, tuas viagens em aviões de tantas nuvens percorridas.

Me lembro dos navios, dos poemas, das palavras, das chuvas, da luta pela vida, do amor pela vida e a entrega de teus momentos para construir o abraço - o outono nos cabelos brancos da Mãe, no cabelo de todas as cores, em todos os olhos, em todos os acenos.

A vida que se percorre e se busca em todos os momentos nesta luta pela sobrevivência, a mulher calada na rua, a mulher triste nas favelas, a mulher silenciosa caminhando ruas impossíveis de caminhar na aridez deste tempo, a mulher vestida de estrelas - todas as Mães que abriram o mundo com as chaves de chuvas de todos os segredos.

Todas as Mães, mulheres que atravessam e atravessaram a vida, mulheres que iniciam essa travessia, que abraçam a Lua e fazem o Sol mais intenso em todas as faces.

Me lembro, Mãe, das incertezas, dos dias doloridos, dos dias marcados. Mas, também me lembro dos dias encantando as tardes, e fazendo das manhãs o início de todos os calendários ao encontro da vida.

Me lembro da horta no fundo da casa, dos pés de girassol, e, eu, criança, observando os primeiros instantes da vida, as ruas de terra, o chão batido, as feiras livres, os restos das feiras livres, os animais, os bichos reminiscentes.

Reminiscente é a infância que desapareceu quando era preciso voltar no tempo e colher novamente o colar de pérolas para fazer os acenos das duas mãos, teu oceano distante, as conchas, os brincos de ouro, os peixes de vidro em aquários que não existem mais na sala invisível.

Me lembro deste mesmo outono, a colheita dos dias, do trigo, o olhar na janela, o crepúsculo atrás dos prédios e atrás da vida - as tardes todas que caíram dentro do espelho.

Tudo se acresce tudo se faz e se refaz, se multiplica e aumenta, e se transforma na paisagem do dia e da noite.

Sempre haverá esse momento que se transforma em infinito - basta apenas segurá-lo entre o gesto e o silêncio.

Por isso, sempre vou lembrar, Mãe, o tempo nascendo do teu aceno que não termina e que renasce a cada instante no abraço claro de todos os dias, a paisagem de teu rosto que marca o tempo que sempre passa.

O tempo que sempre passa, mas que sempre fica como o teu pé de avenca nesse vaso de porcelana, no casarão da Avenida Ana Costa, como o brilho da tua estrela sempre viva nos momentos de maior escuridão.

Dna. Chiquita, Mãe que me deu a Vida - minha Mãe, minha musa - a única cujo Amor por mim é eterno... e incondicional.

Um beijo, Mãe,

Te amo.

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domingo, 16 de agosto de 2009

Quero Viver!

© Walmir Lima
Piero, Angela e Alice

Quero Viver!

Mais do que nunca, quero viver!

Posso sentir o Amor batendo à porta,
Na soleira - não esqueceu meu endereço.

Posso sentir o perfume da mulher amada
A inebriar meus sentimentos e sentidos
Aqui dentro, sem saber,
A me dizer "te amo"...

Posso sentir a vida florescendo a cada momento
A renascer, de novo
Na doce candura da vida de meus netos -
Meu gene renovado, purificado, outra vez.

O coração me diz: "Vive!"
Pelas palavras ressonantes do silêncio Divino
Que fala alto em seus símbolos de dizer,
Mesmo sem se ouvir.

Mais eloqüente que a soma dos livros já escritos
E aqueles a escrever,
Me falou de novo nesse Domingo,
Dia 9, Dia dos Pais,
Pelos olhos lacrimejantes de meu filho, Piero,
Que me disse:

"Vem cá, pai, senta aqui...

Vou ser papai!"
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sábado, 20 de junho de 2009

Doce Menina

© Walmir Lima


Hoje, dia 19 de Junho de 2009, quando o relógio marcava 1h11, nasceu minha netinha.

Todos podem imaginar a extensão da minha alegria no dia de hoje.

Mas, o que ninguém talvez pudesse imaginar é algo mais que trazia em meu peito e que me tem feito transbordar em lágrimas de felicidade.

Foi um presente extra que minha filha Angela me proporcionou.

Um acontecimento que, maravilhoso em si, traz também em seu interior algo especial, que vem coroar um sentimento que me toca no mais profundo do meu eu, no mais profundo de minhas recordações - a escolha do nome de minha netinha...


Alice


Alice é o nome de minha tia querida, que já se foi.

Minha doce tia, que me amava muito, e a quem eu amava perdidamente.

O pensamento em Tia Alice me traz de volta as mais carinhosas e fascinantes recordações de minha infância.

Ela sabia expressar abertamente seus sentimentos, nos fazendo sentir queridos e amados de forma explícita, sem reservas nem economias.

Vem dela a lembrança do perfume gostoso, do batom carmim que usava e do beijo – que hoje se diz “um selinho” - terno e meigo, carregado de amor materno. Isso, mais seu sorriso aberto e verdadeiro, seu olhar afetuoso e brilhante me fazia dela um ser todo especial. Como esquecer?

Esse beijo, cujas marcas de batom ficavam pra não deixar dúvidas, era seu costume com todos nós, crianças da família, sem distinção: Eu, seus filhos, Arthur (o Tuquinha) e Adelaide (a Dedê), e sua ‘netinha’ Fátima (a Fatí), turminha que era quase da mesma idade e a quem ela fazia questão que passasse as férias em sua casa.

Belas recordações e belas traquinagens!


Hoje, nasceu Alice...

E re-nasceu a doce Alice

No meu coração






Benvinda, Alice,

E que Deus a abençoe, netinha.





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terça-feira, 18 de novembro de 2008

Rombo no Casco

© Walmir Lima

Rombo no Casco

Atendendo ao comentário da Anne na postagem anterior...

Nunca estive tão 'adoidado' como agora.

A crise financeira mundial trouxe reflexos imediatos na minha área profissional, e, ao invés de correr atrás de fechar negócios, estamos lutando de forma exaustiva e diuturna para manter os contratos já fechados.

Lamentavelmente, em alguns casos sem sucesso.

Nunca vimos tanta gente 'boa' - empresas grandes, gigantes mesmo - tão apalermadas e agindo de forma até incorreta diante das circunstâncias.

E dizem que os reflexos da crise ainda nem começaram.

Estamos tentando 'manter o navio flutuando', apesar do rombo no casco.

Espero ter um pouco de tempo e cabeça para voltar a escrever as coisas que eu gosto, mas prefiro que seja em momento de plena atividade produtiva, mesmo enfrentando o 'mar revolto' de sempre, e não por 'calmaria' na navegação.

Mas, tenho certeza:

Vamos dobrar o Cabo da Boa Esperança e seguir navegando!

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domingo, 19 de outubro de 2008

Nova Mensagem a Antonio

© Walmir Lima

Nova Mensagem a Antonio


No último dia 12 de Outubro, meu netinho Antonio fez quatro anos.

Reli a mensagem que escrevi para ele em Junho, voltei a pensar nas alegrias que o milagre da vida nos dá, e pensei em escrever outra Mensagem a Antonio, a este pequeno ser tão meigo e lindo que veio iluminar ainda mais a minha vida – uma Receita Viva de Alegria.

Por mais uma dessas coincidências, ao mesmo tempo em que pensava no que escrever, recebi um texto - bela e famosa frase de Pablo Picasso – que achei totalmente pertinente e aproveitei para encerrar nesta postagem.

Foi quando também me dei conta de que raramente alguém que conheço fez alguma referência a um texto sequer de Picasso. Todos só se referem à sua pintura e a ele apenas como o magistral pintor que foi.

Ele, o próprio e belo exemplo de quem viveu de forma fértil, longa, criativa e intensamente até o último suspiro – um pensador da eterna alegria de viver.

Assim, dedico a Antonio algo que acredito ser...


Receita de Alegria


Joga fora todos os números não essenciais
Para tua sobrevivência.
Isto inclui: idade, peso e altura.
Que eles preocupem ao médico.
Para isto o pagamos.

Conviva, de preferência, com amigos alegres.
Os pessimistas não são convenientes para ti.

Continua aprendendo...
Aprenda mais sobre computadores,
Artesanato, jardinagem, qualquer coisa...
Não deixe teu cérebro desocupado.
Uma mente sem uso é oficina do diabo.
E o nome do diabo é “Alzheimer”.

Ria sempre, muito e alto.
Ria até não poder mais.
Inclusive de ti mesmo!
E, quando as lágrimas chegarem:
Agüenta, sofre e... Segue adiante.

Agradeça cada dia que amanhece
Como uma nova oportunidade para fazer aquilo
Que ainda não tiveste coragem de começar.
Do princípio ao fim.

Prefira novos caminhos
Do que voltar a caminhos mil vezes trilhados.
Apaga o cinza de tua vida.
E acenda as cores que carregas dentro de ti.

Desperta teus sentidos para que não percas
Tudo de belo e formoso que te cerca.

Contagia de alegria ao teu redor,
E tenta ir além das fronteiras pessoais
A que tenhas chegado aprisionado pelo tempo.
Porém lembra-te:
A única pessoa que te acompanha
A vida inteira és tu mesmo.

Cerca-te daquilo que gostas:
Família, animais, lembranças,
Música, plantas, um hobby,
Seja o que for...

Teu lar é teu refúgio, porém não fiques trancado nele.
Teu melhor capital, a saúde. Aproveite-a.
Se é boa, não a desperdice;
Se não é, não a estrague mais.

Não se renda à nostalgia.
Sai à rua, vá à uma cidade vizinha,
A um país estrangeiro...
Porém não viaja ao passado, porque dói!

Diz aos que amas, que realmente os amas e
Faça isso em todas as oportunidades que tiver.

E lembra-te sempre que a vida não se mede
Pelo número de vezes que respirastes,
Mas pelos momentos que teu coração palpitou forte:

De muito rir... de surpresa...
De êxtase... de felicidade...
E sobretudo...
De amar sem medida.


“Há pessoas que transformam o sol
Em uma pequena mancha amarela,
Porém há também as que fazem
De uma simples mancha amarela
O próprio sol.”

......................Pablo Picasso




(Imagem: "Moças Correndo" - óleo de Pablo Picasso)

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terça-feira, 22 de julho de 2008

Minha Recuperação

© Walmir Lima

Como estou sem internet, aproveito rapidamente o laptop de um amigo, que veio me visitar, para agradecer a todos pelas manifestações de apoio e de saudades devidas à minha ausência pela cirurgia, e informar a situação atual.

Minha recuperação está bem mais lenta do que a esperada, mas segue positiva.

Normalmente, necessito me alimentar bem a cada três horas. Mas, justamente nos últimos dez dias tive que fazer alimentação muito leve - dieta líquida (argh!), que, somada à “mexida” no organismo, tem provocado fraqueza e ainda muitas náuseas e dor de cabeça.

A partir de ontem comecei uma segunda fase do tratamento com a ingestão de um Polivitamínico e Polimineral, para melhorar a resistência, além de um remédio forte para as náuseas (Gastrocinético), para melhorar a tolerância aos alimentos sólidos que foram liberados.

Tudo agora é uma questão de tempo e paciência (preciso de muita).

Um beijão saudoso a todos e

Até breve

Walmir

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sábado, 14 de junho de 2008

Mensagem a Antonio

© Walmir Lima

Mensagem a Antonio

Hoje, dia 13 de Junho, é dia de Santo Antonio.

Quando acordei, pensei nessa data, no que ela representa e nesse nome santificado, que tanto significa para mim.

Imediatamente pensei em você, Antonio, meu netinho tão querido, meu anjo, meu santinho.

E quis escrever essa mensagem a você.

Para dizer-lhe o quanto sua vinda a esse mundo me tem feito repensar minha existência e me fez descobrir uma camada mais profunda do meu interior.

Descobri que Deus ter me dado meu netinho exatamente nesse momento não foi à toa.

Colocar você no meu seio, como parte da minha alma, foi uma forma que Deus encontrou para me dizer: “Levanta! Eu te amo”.

Percebi que você é o portador dos pedaços bons de mim que deixei pelo caminho.

Você é a personificação do milagre da continuação da vida, do lado bom da minha, que continua claramente em você, de forma tão maravilhosa.

Quis deixar-lhe essa mensagem, na esperança de que ela se preserve, de alguma maneira, para que, um dia, você a leia.

Quando isso acontecer, e quando você tiver clareza suficiente para entendê-la, talvez eu já me tenha ido desse mundo, mas espero que, através dela, você possa conhecer e, quem sabe, compreender um pouco esse velho e imperfeito avô que tanto te ama.

Sei que não é tarefa fácil. Alguns tentaram. Quase ninguém conseguiu. Nem eu mesmo.

Antonio, meu querido, quero que você saiba o bem que sua vinda me fez, devolvendo-me VIDA e alegria de viver num momento de muita desesperança.

Os, para mim, poucos momentos que vivemos e brincamos juntos têm-me o valor de uma eternidade.

Seu sorriso lindo me ilumina, sua voz macia me abranda o coração.

Lembrei de frases que escrevi, lembrei de frases que li algum dia, frases que me marcaram e me acompanharam para sempre, e que aqui escrevo novamente para dedicar a você.

Quero que saiba que, com você, percebi que posso não ser uma pessoa especial, mas que sou único. Meu coração se encheu de tanta ternura, que pôde acolher tanto a alegria quanto a tristeza.

Comecei a entender a complexidade, o mistério e a vastidão da minha alma.

Comecei a perceber uma presença divina dentro de mim, e a ouvir Sua orientação, ouvindo apenas a sabedoria do meu coração, a sabedoria do meu corpo, que se chama intuição.

Comecei a entender claramente a linguagem do meu corpo através do cansaço, das sensações, das antipatias e dos desejos.

Estou começando a deixar de lado o perfeccionismo, esse carrasco da alegria, que me perseguia.

Comecei a falar a verdade sobre meus talentos e minhas limitações. A perceber melhor o período de confusões, disputas ou desgostos, e que essas coisas também fazem parte de mim e merecem o meu amor.

Vai-se a vida, vem-me o siso. Da minha vida e experiência, do lado bom e do lado ruim, espero que você descubra o seu caminho.

Que você se permita olhar, escutar e sonhar mais. Falar menos. Chorar menos.

Ver nos olhos de quem lhe vê a admiração que eles lhe têm e não a inveja que você pensa que eles têm.

Permitir sempre escutar aquilo que você não tenha se permitido escutar. Saber realizar os sonhos que nascem em você e por você, e com você morrem se você não os conhecer.

Que, então, possa viver os sonhos possíveis e os impossíveis - aqueles que morrem e ressuscitam a cada novo fruto, a cada nova flor, a cada novo calor, a cada nova geada, a cada novo dia.

Que você possa sonhar o ar, sonhar o mar, sonhar o amar.

Ame.

Lembre-se do que disse Leonardo Da Vinci, meu ídolo maior:

“As mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar”.

Que você possa substituir suas palavras pelo toque, pelo sentir, pelo compreender, pelo segredo das coisas mais raras, pela oração mental (aquela que a alma cria e que só ela ouve, e só ela responde).

Que saiba reproduzir na alma a imagem que entra pelos seus olhos fazendo-lhe parte suprema da natureza, criando-lhe e recriando-lhe a cada instante.

Que possa chorar menos de tristeza e mais de contentamentos. Que seu choro não seja em vão, que em vão não sejam suas dúvidas.

Que saiba perder seus caminhos, mas saiba recuperar seus destinos com dignidade.

Que não tenha medo de nada, principalmente de si mesmo. Que não tenha medo de seus medos.

Que adormeça toda vez que for derramar lágrimas inúteis e desperte com o coração cheio de esperanças.

Que faça de si um homem sereno dentro de sua própria turbulência, sábio dentro de seus limites pequenos e inexatos, humilde diante de suas grandezas tolas e ingênuas (que você se mostre o quanto são pequenas suas grandezas e o quanto é valiosa sua pequenez).

Que se permita ser pai, ser mãe e, se for preciso, ser órfão.

Permita-se ensinar o pouco que saiba e aprender o muito que não souber.

Possa traduzir o que os mestres ensinaram e compreender a alegria com que os simples traduzem suas experiências.

Possa respeitar, incondicionalmente, o ser - o ser, por si só.

Possa auxiliar a solidão de quem chegou, render-se ao motivo de quem partiu e aceitar a saudade de quem ficou.

Que possa amar e ser amado. Que possa amar mesmo sem ser amado, fazer gentilezas quando receba carinhos, fazer carinhos mesmo quando não receba gentilezas.

E que você jamais fique só, mesmo quando se queira só.

Então, valorize cada momento que você tem, e lembre-se de que o tempo não espera por ninguém.

Lembre-se também que a felicidade é uma jornada, não um destino.

A paixão é a diferença entre o sucesso e o fracasso, entre a dúvida e a certeza, entre aqueles que gostam do que fazem e aqueles que fazem o que gostam.

E, por fim, uma frase que li algum dia e que tenho como um belo e condensado mandamento:

”Trabalhe como se você não precisasse de dinheiro.
Ame como se você nunca fosse se machucar.
E dance como se ninguém estivesse olhando”.


Meu querido netinho,

Viva, como se não houvesse fim.
Viva, porque vivo em você.



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sábado, 19 de abril de 2008

Já Fui Um Cabeludo

© Walmir Lima
Walmir, anos 70

Já fui um Cabeludo.

Era assim que nós, os roqueiros, eramos chamados no final dos anos 60 - início dos anos 70: 'Os Cabeludos'.

E o look era esse aí mesmo, fora a calça 'boca de sino', com cintura Saint-Tropez, quase caindo.

Neste Sábado, meu filho Thiago 'desencavou' essa foto que dá uma idéia de como eu era na época.

Demos muita risada - eu, inclusive.

Elvis? John Lennon? ...Certamente viraram na cova!

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segunda-feira, 14 de abril de 2008

Encalhado!

© Walmir Lima
Encalhado!

O pessoal anda me perguntando por que eu ando sumido, sem dormir direito, sem postar, etc.

Expliquei que trabalho com afretamento de navios (Chartering), que é a contratação de navios para o transporte de aço, grãos, fertilizantes, carvão e minério, e que, além das negociações e dos contratos, cuido de toda a logística envolvida no acompanhamento das viagens, de ponta a ponta.

Esse tipo de atividade, que, em condições normais já me deixa ligado sete dias na semana, 24 horas por dia, lidando com vários países e seu fuso horário, às vezes, dependendo de alguns “pequenos” contratempos e da quantidade de empresas envolvidas em decorrência deles, me exige passar até mais de 72 horas trabalhando direto, sem dormir – não importa se é fim-de-semana ou feriado.

Para ilustrar, mostro abaixo exemplos de algumas “coisinhas” que já me tiraram o sono...

"E durma-se com um barulho desses!"


























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sábado, 23 de fevereiro de 2008

Extra! Extra!

© Walmir Lima

Folha de Vinhedo – 23 de Fevereiro de 2008

Os meios de comunicação jornalística do país ficaram mais ricos.

Saiu a coluna do Ernesto Dias Jr. na Folha de Vinhedo de hoje!

Às terças-feiras, a partir da próxima, sairá, também, a versão eletrônica da coluna “Assertivas” no site do jornal, e poderá ser lida visitando o link abaixo:

www.folhadevinhedo.com.br/colunistas

A Folha é distribuída, além de Vinhedo, nas cidades de Louveira, Valinhos, Jundiaí, Várzea Paulista, Campo Limpo Paulista, Jarinu, Cabreúva, Itatiba, Itupeva e toda a região da grande Campinas.

Clique na imagem acima e leia a íntegra do texto de hoje.

-o0o-

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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Primeiro Aniversário de "O Centauro"

© Walmir Lima
Blogosfera, 14 de Fevereiro de 2008



Nesse dia em que "O Centauro" completa seu primeiro ano de existência, gostaria de agradecer a todos pelo carinho que me tem dedicado e pela grande generosidade expressada através da sua leitura e comentários, que muito me comovem, incentivam e envaidecem.


Um beijo carinhoso e um forte abraço a todos.

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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Chapada dos Guimarães - Mato Grosso

© Walmir Lima

Chapada dos Guimarães
Prazer e Orgulho de Ser Brasileiro








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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

A Verdadeira Alegria do Carnaval

© Walmir Lima
Lú, Walmir e Angela
Restaurante-Mirante "Bistrô da Mata"
Chapada dos Guimarães - 04 Fev 2008



Esse Carnaval resolvi passar no Paraíso.

O Paraíso existe e fica aqui perto, mesmo. Fica na região de Cuiabá, no Mato Grosso, bem no Centro Geodésico do Continente, a apenas uma hora e cinqüenta minutos de São Paulo, com os vôos promocionais e supereconômicos da madrugada....

(Clique no Link abaixo e leia mais)

É um Paraíso com temperatura de Inferno, mas, como em todo Paraíso que se preze, você é recebido por “Anjas” hospitaleiras. Elas são, como diria o Ernesto, as “Anjas Aladas”, que vocês já conhecem: a Angela e a Lú (Lúcia Helena), cuiabanas por adoção.










"Bistrô da Mata"








Foram quatro dias maravilhosos em que elas me levaram a alguns dos recantos que compõem esse paraíso. Um deles é a Fazenda Pasárgada, que pertence a duas pessoas também maravilhosas, Sandra e Waldir, os compadres da Lú, e o outro é a famosa Chapada dos Guimarães.



A Fazenda Pasárgada









Angela, Lú e Sandra





Walmir, Lú, Waldir e Sandra






A Fazenda Pasárgada tem seu nome bem apropriado. Advindo de uma suntuosa cidade Persa da antiguidade, esse nome foi consagrado pelo poeta Manuel Bandeira como um lugar ironicamente ideal, em seu poema “Vou-me embora pra Pasárgada”.















As fotos de lá, que publico ao longo dessa postagem, falam, por si só, o que representa esse lugar paradisíaco, por sua beleza, que inclui, entre outras coisas, um belíssimo jardim-orquidário, e, principalmente, pelo ambiente familiar, agradavelmente “alto astral” que nos proporcionaram o casal amigo, Sandra e Waldir, juntamente com seus netinhos, sua filha, Tarin e seu marido Alexandre. Sua simpatia e generosidade, casa linda e acolhedora, seu churrasco delicioso e as incríveis mangas gigantes, que fazem juz ao nome "coração de boi" jamais serão esquecidos.







Orquídeas
da
Fazenda Pasárgada






A Chapada dos Guimarães


A Chapada dos Guimarães fica bem no meio da América do Sul e é um excepcional ponto para se avistar a planície pantaneira, muito freqüentado à noite pelos notívagos, “malucos” e namorados em busca de luzes estranhas, mais espetaculares do que as da cidade de Cuiabá, que ilumina parte da planície.

O Centro Geodésico seria um ponto eqüidistante entre o Atlântico e o Pacífico, no "Coração da América do Sul", como já dizia Caetano Veloso na música "Um Índio".



A Chapada é um lugar que atrai místicos e sensitivos do mundo inteiro.

Existe uma série de fatores que fizeram de Chapada dos Guimarães um dos pontos de atração de místicos do mundo inteiro.

O “Paralelo 15 Graus Sul” passa pôr regiões beneficiadas energeticamente onde, segundo as profecias de Dom Bosco, nasceria a civilização perfeita; aquela talvez, almejada no Terceiro Milênio, ou na Era de Aquário, formando sua passagem, justamente, o alinhamento das cidades de Porto Seguro, Brasília, Chapada dos Guimarães e o Lago Titicaca, no alto da Cordilheira dos Andes.


"Bistrô da Mata"


Este fluxo eletromagnético ("corredor Bivac"), que passaria pôr esta região, possibilitaria às “pessoas iniciadas” um maior contato com os elementais e seres de outras dimensões. Dizem existir sob Chapada um buraco que permitiria a passagem de ondas cósmicas que normalmente não chegam à superfície.

A Chapada dos Guimarães possui uma paisagem exótica e a maior concentração de plantas medicinais por quilômetro quadrado. Situa-se sobre uma das mais antigas placas tectônicas do planeta, que forma a borda do chamado Planalto Central Brasileiro.


Pousada Mirante "Penhasco"


Sua paisagem possui várias eras geológicas estampadas. Há 300 milhões de anos, foi fundo de um mar, que cedeu há 150 milhões de anos. Há 15 milhões de anos temos a modificação mais marcante na paisagem, com o surgimento da Cordilheira dos Andes. A região, onde hoje é a Planície Pantaneira, afundou, criando então a borda da Chapada, com uma diferença de altura vertical de mais de 350 metros.

Em um passeio, é possível observar na paisagem as marcas deixadas no arenito, e achar fósseis de conchas do mar. É possível observar as dunas do antigo deserto, que se formou quando o mar cedeu, e que são bem visíveis na região do Portão do Inferno, ou, até mesmo, as inscrições pré-históricas deixadas em alguns dos 46 sítios arqueológicos cadastrados.

Existe uma antiga estrada pré-colombiana que passa pela região e que liga a América Central, cruzando a Cordilheira dos Andes em direção ao Brasil Central, cruzando o país de noroeste a sudeste.
















O clima da Chapada é surpreendente. Para quem sai de Cuiabá, distante apenas 74 km, a temperatura torna-se muito mais amena por causa da altitude que fica por volta de 800 metros acima do nível do mar, criando uma circulação de ar que forma uma espécie de bolha.

A hidrologia é especial, tamanha a quantidade de nascentes e cachoeiras. O maciço montanhoso é o divisor de águas entre a Bacia Amazônica e a do Rio da Prata. Sua formação básica é o arenito sedimentar com a presença de quartzos leitosos, hematitas, ardósias, além de ouro, diamantes e outras rochas que ajudam as emanações telúricas.



Estas condições fazem de Chapada um local que possibilita às pessoas um contato direto com a natureza, auxiliando o desenvolvimento sensitivo e espiritual, e quem sabe, despertando para uma consciência menos egoísta e mais planetária.




As mangas "Coração de Boi" da Fazenda Pasárgada:

Enormes!...

Como o coração dos queridos Sandra, Waldir, Lú e Angela

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domingo, 27 de janeiro de 2008

Bem-vinda, Pituca!

© Walmir Lima
Pituca
(foto tirada hoje, dia 26 de Janeiro de 2008)


Diz o ditado que "O melhor amigo do homem é o cachorro".

Sempre achei que quem se faz de "melhor amigo do homem" é o Gerente do Banco - mas somente quando quer lhe vender mais uma quota de seguro.

Mas, deixa isso pra lá...

Desde que, aos 5 anos de idade, vi meu dócil cãozinho "vira-latas" preto e de patas brancas, chamado "Veludo", ser atropelado e morto por um automóvel, lá em Santos, não quis mais ter um dentro de minha casa. Não que eu não goste deles, só detesto mesmo os cães mais violentos, mas aquela cena traumatizante ficou para sempre gravada em minha mente.

Eu, como toda criança, simplesmente amava meu cãozinho de estimação.

Já li e até escrevi alguma coisa a respeito desses bons amiguinhos e daí guardei algumas frases de meus pensamentos.

Um cão é um anjo que vem ao mundo ensinar amor.

Quem mais pode dar amor incondicional, amizade sem pedir nada em troca, afeição sem esperar retorno, proteção sem ganhar nada, fidelidade vinte e quatro horas por dia?

Um cão não se afasta! Mesmo quando você o agride, ele retorna cabisbaixo, pedindo desculpas por algo que talvez não tenha feito, lambendo as suas mãos a suplicar perdão.

Alguns anjos não possuem asas, possuem quatro patas, um corpo peludo, nariz de bolinha, orelhas de atenção, olhar de aflição e carência. Apesar dessa aparência, são tão anjos quanto os outros (aqueles com asas), e dedicam-se aos seus humanos tanto quanto qualquer anjo costuma dedicar-se.

Deus, quando nos fez humanos, sabia que precisaríamos de guardiões materiais que nos tirassem do corpo as aflições dos sentidos,e nos permitissem sobreviver a cada dia com quase nada além do olhar e da lambida de um cão...

A história que conto agora aconteceu na semana passada.

Vejam se eu não tenho razão. . .

"Pituca" é o nome de uma brincalhona cadela Cocker Spaniel, de 8 anos e côr "whiskey" brilhante, que pertence a meus filhos desde bem pequenina.

Há um ano e meio ela simplesmente desapareceu, subitamente, sem deixar vestígios. Alguém a encontrou na rua, durante uma de suas escapadas, e a levou, não se sabe para onde. Pensamos até que ela poderia ter morrido atropelada, ou algo assim. Sumiu.

Pois bem, Sábado passado, depois de tantos meses, ela surgiu, de surpresa, na porta da casa deles, esgotada, ofegante e faminta, toda ensopada pela forte chuva que caía. Voltou justo no fim-de-semana... Foi "aquela" festa!

O mais incrível, pasmem, é que, na Sexta-feira, dia anterior ao seu reaparecimento, o pessoal ficou folheando um álbum onde estão fotos da Pituca. Meu netinho, Antonio, com toda sua pureza - ele que tinha somente um ano e pouco de idade quando a Pituca desapareceu - começou a chamar pela Pituca pelos cantos da casa!

Decerto ele pressentiu que ela estava chegando. Uma dessas coisas que só Deus explica.

Diz-se que o animal que tem a melhor memória é o elefante, no entanto, a cadelinha Pituca provou que não é bem assim. A amizade incondicional desse animalzinho faz milagres e fez com que ela encontrasse o caminho de volta, mesmo debaixo de chuva, ocasião em que seu faro não deve ter ajudado em nada.

É um belo exemplo de um certo tipo de amizade, amor e fidelidade que só os cães sabem demonstrar.

Quando a vi hoje, pela primeira vez após sua volta, e ela me olhou bem nos olhos, com uma expressão de alegria por me ver de novo, apesar de seus olhos cansados, senti como se Veludo tivesse renascido diante de mim.

E eu também renasci mais um pouco, pelos olhos da Pituca...


(foto tirada em 26 de Janeiro de 2008)

A Pituca está de volta... Bem-vinda, Pituca!

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terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Teimosa Esperança

© Walmir Lima
Madrid, 14 de Novembro de 1994


Os comentários da postagem anterior ('Ecos') me levaram a escrever o texto abaixo, que eu ia publicar como um comentário, mas ficou muito longo. Então, resolvi fazer um novo outro 'post'.

Acredito que só encontra um caminho melhor aquele que, antes de mais nada, tenha a humildade e o desprendimento de admitir e encarar, de forma adulta, seus problemas, e, principalmente, seus equívocos. Este é o começo da mudança, este é o começo para a correção, para encontrar o certo, o melhor... e encontrar a paz interior.

É melhor não "fazermos de conta" de que problemas não existem, de que tudo está ótimo. Isso tampouco elimina o fato de que nem tudo foi só "cor-de-rosa".

Claro que tivemos bons momentos e que devemos lembrar deles, mas penso também que não há nada de mal em trazer à memória, com certa nostalgia, as perdas havidas ao longo do caminho, já que contribuiram, e muito, para nossa têmpera e amadurecimento.

Quanto aos filhos, encaremos a realidade, são um bom exemplo disso: Filhos são maravilhosos, ou melhor, a existência de filhos é uma dádiva, mas não elimina o fato duro e real de que eles, num determinado momento da vida, consideram você um traste, um errado, um ultrapassado.

Quando são pequenos, nos consideram heróis. A partir de sua adolescência, nossas falhas são valorizadas e, na maioria das vezes, nos tornamos verdadeiros "bandidos", e se afastam, e nos ignoram. Não é só a ficção da música quem diz: "Pai, você foi meu herói, meu bandido"... Raros os pais que não ouviram isso.

Por uma razão ou por outra deixamos de ter explicitado o afeto dos filhos, e em troca, desrespeitosas grosserias por gestos e palavras, o descaso, e até um certo desprezo e abandono. Não nos ligam mais, ou, se ligam, não é com a única intenção de saber como estamos (aliás, nem perguntam como estamos), mas porque necessitam de algo que temos, podemos, ou pensam que podemos fazer. O amor está lá - latente - mas só se manifesta o rancor, a decepção que causamos, apesar das melhores das nossas intenções.

Com os netos, a coisa muda um pouco de figura. É como uma segunda chance que a vida nos dá. Não há a mesma obrigação em educá-los, em criá-los. Mas, isso é uma outra história e não vem ao caso me estender sobre isso agora.

Encaremos a realidade, como adultos que somos. As perdas existem, quer queiramos ou não. As tristezas também - elas decorrem disso, e não devem ser camufladas pela falsa pressuposição de que "tudo vai bem", "pensar positivo", como querem que creiamos as doutrinas de auto-ajuda.

Claro que não há nada de errado em pensar positivo - e eu penso no lado positivo de se desejar o melhor, e de lutar, a cada dia, por isso - é o que faço sempre, embora possa não parecer. Só não finjo que tudo está bem. Procuro ser sincero, de coração aberto. Esta foi a proposta da criação do "O Centauro".

Entendo e agradeço as doces palavras de carinho e até de certa preocupação dos amigos, mas, apesar dos meus textos e pensamentos serem saudosistas, angustiados e nostálgicos lamentos, no fundo, e ao final, sempre trazem uma palavra sincera e positiva de esperança.

Vejo a vida se esvair aos poucos... a cada dia... todos os dias, a "mola do relógio" se enfraquecendo, cansando, mas, acreditem ou não nos meus propósitos e na honestidade das minhas intenções, nunca perco e nunca perdi a esperança de encontrar "um caminho melhor", de preferência (apesar de já me terem dito que vai acontecer o contrário), ao lado de alguém - aquele certo alguém - que eu ame e que me ame, como ninguém, até o fim de nossos dias.

Seguirei assim, até o fim - eu e minha teimosa e fiel esperança, grande amiga, que vai morrer comigo.

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segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Ecos

© Walmir Lima

Ecos

Ainda ouço o eco dos meus pensamentos deste fim de semana, das conversas com Jorge e nossas reflexões.

A alegria do meu reencontro, hoje, com Alfredo, filho mais velho de Jorge e Estephania, depois de tantos anos, também me fez pensar no quanto o tempo passa rápido e no quanto deixamos para trás... no quanto tudo muda, e muda tanto, ao longo dos anos e não percebemos.

Em determinado momento de nossa conversa, Aline citou Rubem Alves e me lembrei que, exatamente como ele contou uma vez em uma de suas obras, também folheei nesta semana meus álbuns de fotografias e fiquei olhando, emocionado, as fotos de meus filhos ainda pequenininhos e vi o quanto tudo mudou... Quantas perdas ao longo do caminho.

"A vida é mesmo feita de perdas", disse Rubem. Aquele tempo passou. Aquela alegria foi engolida, como uma gota, pelo oceano do tempo e da vida. Não volta mais.

Mas é desse sentimento, também, que nasce a arte, nosso conforto, cuja beleza brota da intensidade desses sentimentos tristes e nostálgicos e nos traz de volta as lembranças, sempre que ouvimos 'aquela' música, ou lemos 'aquele' poema, ou vemos 'aquela' pintura, 'aquela' foto, 'aquela' imagem.

A espantosa realidade das coisas
É a minha descoberta de todos os dias
Cada coisa é o que é.
E é difícil explicar a alguém o quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.

Basta existir para ser completo.


"Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada."
(Fernando Pessoa)




(Imagem: "A Marat" óleo de Jacques-Louis David - 1793)

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segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Meu Cantinho, Meu Refúgio

© Walmir Lima
Meu Cantinho, Meu Refúgio

Nada como meu cantinho...
Um lugar pra eu ficar,
Um lugar para sonhar,
Um lugar pra divagar,
Um lugar pra ser eu mesmo.






No cavalete, óleo pintado por mim aos 8 anos de idade










Meus quadros, meus amores




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