(Mário Quintana)

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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Segredos D'Alma

© Walmir Lima

Segredos D'Alma

Alma alma minha
Só sempre só
Sem que ninguém compreenda
Teu sofrimento
Terrível padecer
Fingindo uma existência
Sempre cheia
De sorte e de prazer

Se encontrasse
Uma alma igual à minha
Quantas coisas secretas
Contaria

Uma alma que ao olhar-me
Sem dizer nada
Dissesse tudo
Em seu olhar

Uma alma que embriagasse
Com suave alento
E ao beijar-me sentisse
Tudo que sinto

Às vezes me pergunto
O que aconteceria
Se eu encontrasse
Uma alma igual à minha



(Imagem: "The Kiss", E Hofe)
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domingo, 7 de novembro de 2010

De Pé!

© Walmir Lima

Meu amigo, Jorge Lemos, desolado, publicou ontem em seu Blog, Sombras & Fragmentos, a postagem "Nocauteado em Pé", onde, entre outras coisas, diz:

"Se o campo político lhe foi propício, pela promíscua devassidão de políticos e pela fraqueza a fragilidade (para não descermos ao nível de atestar incompetência) da chamada oposição, foram muitos os aspectos que deram ao Presidente a chance da manutenção do Poder. A teimosia cega e constante do candidato José Serra, o jogar da toalha mais cedo, no ringue, de muitos de seus colaboradores e companheiros partidários, somadas à confiança de que a capacidade e a inteligência do candidato Serra seriam armas para aquisição de votos, mostraram uma infantilidade política sem limites.

Dilma não ganhou - 21,7% do eleitorado deixaram de votar. O que representa este expressivo número no campo político? Falta de motivação para o eleitor esclarecido e a apatia do ex-governador paulista.

...A soma dos votos do DEM e do PSDB, a fuga maciça pelo feriado prolongado e a convicção dos eleitores de que tudo já estava ganho pelo governo, pôs na mesa da situação o que de mais fisiológico vive o momento político brasileiro.

Estou de luto. Doravante deverei escrever mais sobre flores."

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Outro amigo, o Ernesto Dias, além de ter-me dito que não vai mais falar de política nem permitir que os amigos o façam em sua roda, disse que não mais irá ler ou assistir jornal e publicou em seu Blog, "Assertiva", no último dia 1, a postagem "Vitória da Democracia", onde, totalmente enfurecido, desesperançado e contundente, diz:

"Uma forma de medir o grau de amadurecimento de uma sociedade dita democrática é através de aderência dos atos e pensamentos dos governantes e das instituições ao caráter e às aspirações de um povo.

De parabéns o povo brasileiro que não só chegou lá como revelou a si mesmo e ao mundo o verdadeiro sentido e a real dimensão dos seus sonhos. Consagra sua vocação para a pequenez, para a coleta da migalha, para o satisfazer-se com o que tem, rico ou pobre, em prejuízo do que poderia ter ou ser.

...Quanto a mim, doravante apátrida, seja esta minha última manifestação política. Aliviado e feliz passo a gozar do que este país, embora não mais o meu, pode me dar de melhor: a liberdade. Liberdade para atirar o lixo pela janela do meu carro, para ocupar uma tão cobiçada vaga de deficiente, para jogar meu computador velho – cheio de chumbo e mercúrio - no lixo comum, para furar filas falsificando a idade. Para ser, enfim, o espertalhão que o brasileiro tanto admira, reverencia e almeja ser."

--

Além dessas opiniões de amigos que amo e respeito, corre também pela internet um texto atribuido ao jornalista Luis Nassif (autoria não comprovada) em que ele teria dito diversas palavras de desagravo aos nordestinos em geral, numa evidente alusão ao apoio do povo daquela região à política situacionista que ajudou a reeleger.

Vejo as coisas de uma forma um diferente. Não concordo com essa forma de visão generalizada e que, exageros à parte, em função dela, se tome rumos equivocados, na contra-mão da lógica, do inteligente, do bom senso.

O ser nordestino não é sinônimo de desonestidade, de indolência, de inculto, de mau-caratismo, de conivência com o falaz, o fraudulento, o criminoso - temos em nossa história muitos exemplos do contrário. Sabemos que existem muitos paulistas, muitos gaúchos, mineiros e cariocas que são.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, 29.197.152 eleitores brasileiros inscritos se abstiveram de votar no segundo turno, representando 21,50% do total. Uma vergonha!

Isto, sim, é algo que me revolta, e muito!

Para mim, salvo raríssimas excessões compostas de pessoas impedidas contra sua vontade (como, por exemplo, os enfermos com impossibilidade de locomoção) e os que morreram no período, o resto, que não votou só porque não quis, é um bando de omissos, irresponsáveis, uns párias mentais que não deveriam ter o direito ser chamados de cidadãos.

Na minha opinião, existem formas de se protestar pelo voto (inteligente e responsável) e não pela ausência dele. Por outro lado, votar num Tiririca não é protesto, é burrice!

Não há desculpa para não se exercer o que, para muitos, é "cumprir um dever cívico" e que, para mim, é um direito sagrado, inalienável, do qual não abro mão.

Minha mãe faleceu aos noventa e tantos anos e fez questão de votar EM TODAS as eleições - até o fim de sua vida. Não houve doença nem qualquer outro motivo que a impedisse. Ela exigia que a levássemos à urna - um exemplo e motivo de muito orgulho para mim e para todo homem de bem, não só deste país, mas, do mundo.

Não vou renegar a educação e o bom exemplo que recebi.

Não abro mão do meu direito ao voto.

Não abro mão da minha cidadania.

Não abro mão de ler ou ver jornal e de me informar pela imprensa livre.

Não abro mão do meu direito de reprovar e contestar abertamente a bandalheira na coisa pública.

Não abro mão de discordar e de defender livremente minhas convicções contra a tirania aberta ou velada.

Os políticos da chamada oposição podem até querer desistir. Eu não.

Outros podem ter desistido. Eu não.

Eu sou Brasileiro!


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