Bailarina do Tempo Lindíssima música do meu "irmãozinho" Miro Nandes, na voz maravilhosa da sua (nossa) querida Paula Nolf.
O arranjo novo ficou incrivelmente dançante. Amei !! Desfrutem !! Comentário de Ernesto Dias Jr. no seu Blog "Assertiva": "Alguns sonhos levam mais tempo que outros para se realizar. Só é preciso correr atrás, mostrar as garras para o tempo e para o destino.
E correr atrás é o que Miro e Paula sabem fazer melhor, com garra.
Meses de trabalho e de muito amor - pela arte e pelo outro - resultaram em poesia musicada, emocionante."
A postagem anterior levou-me a conversas e reflexões com amigos sobre a figura da grande “Ilusão da Vida” refletida no espelho.
“Espelho”, esse meu confidente querido e sincero, com quem converso todos os dias, e que me joga as verdades literalmente na cara.
As verdades mais agudas sobre a ilusão da parte mais importante da minha vida, que já me fez mudar de rumo tantas vezes e que teimo em esconder... mas, verdades de outrora, que brotam em forma de poema...
-o0o-
Filhos...
O rosto do fruto
Espelhado no meu
Um só
Eu e o fruto
Estou em mim e no fruto
E na travessia
Entre eu e o fruto
De forma tão sensível
Que o fruto seja meu princípio...
-o0o-
Ledo e rotundo engano meu !!
Mas a notada e repetida presença da parábola do espelho, em meio às minhas últimas reflexões e textos, também me fizeram lembrar uma linda música composta pelos maravilhosos João Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro, chamada “Além do Espelho”, que tem mesmo algo ou muito a ver com o que um dia idealizei.
No primeiro momento de verbosidade, nada melhor que falar do passado. Ainda mais alguém como eu, com meus tantos anos, tem muito passado pra falar.
Mas nem é este meu ideal, o que eu quero mesmo é dizer que estou com saudades. Saudade de pessoas, momentos, lugares, situações e... de mim.
Saudade de tanta coisa, que viver o presente às vezes nem faz sentido. Dorzinha que fica incomodando, me fazendo chorar escondido e em público.
Há um poema que encontrei rabiscado num caderno meu, do passado, que fala assim da saudade: "Saudade…
Eu conheço essa palavra Desde que eu era criança Saudade de gente ausente Não é saudade, é lembrança Saudade só é saudade Quando se perde a esperança
Fui eu que fiz a saudade Plantada na minha mente Semeei no meu canteiro Num dia de sol bem quente Outro poeta só planta Se me pedir a semente
Quem quiser plantar saudade Planta com sol na terra quente Porque se plantar no molhado Ela cresce e mata a gente
Mas, você nunca deixa essa planta Crescer no seu coração Ela é amiga da tristeza Companheira da paixão E faz você viver sozinho No meio da multidão Saudade é dor que dói Mas não é dor de doer É vontade de lembrar Com vontade de esquecer É dor de dentro e machuca Mas, onde dói ninguém vê E a gente pega e cutuca Pra não parar de doer
Saudade é como parafuso Quando na rosca cai Só entra se for torcendo Porque batendo não vai E quando enferruja dentro Nem destorcendo sai Saudade é como resina No amor de quem padece Um pau que resina muito Não morre, mas adoece É como quem tem saudade Não morre, mas não esquece
Saudade é nada e é tudo Saudade é como perfume Não há balança que possa Com o peso do ciúme Que a gente carrega o peso Mas não conhece o volume" ... “... É vontade de lembrar com vontade de esquecer... ” Essa frase é uma coisa que sinto muito verdadeira e que expressa quase tudo o que sinto aqui dentro. Sinto falta de mim, me ando tão distante. Às vezes não me reconheço, às vezes nem me ouço ou vejo. Quero voltar a ser eu. Eu gostava de mim antes. Era uma pessoa legal, divertida, espontânea, atraente… Podem acreditar: já fui muito mais velho do que sou hoje... Antigamente eu era eterno !! Tem a parte difícil, que não voltará: minha mãe não ressuscitará, a infância não existe mais, o amor antigo não retornará, aquele abraço perdido na distância da eternidade... não retornará...
"Saudade é não saber... Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos Não saber como encontrar tarefas que nos cessem o pensamento Não saber como frear as lágrimas diante de uma música Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche" Saudade, às vezes, é sofrer em vão. Mas saudade é assim mesmo: “A gente pega e cutuca para não parar de doer...!!”
"O homem nasceu livre e, por toda a parte, vive acorrentado."
Jean-Jacques Rousseau
A Esperança
Sua mente é um cemitério,
Seu coração é uma ilha.
Ela e eu não somos bons amigos,
Mas eu a conheço a vida toda.
Senta-se em mim,
Vazia e distante,
Mas suas palavras de encorajamento
Não me ajudam.
Sei de seus truques,
De suas falsas promessas.
Peço que me deixe:
"Tenho mais o que fazer!"
Mas esta conhecida
Nunca sabe quando partir.
Não é uma questão
De por que ela me quer bem.
É mais uma questão
De por que eu a deixo ficar.
Este sentimento me fez lembrar Platão...
Platão criou uma imagem memorável para as falsas crenças e ilusões de que, não raro, sofremos. Ele escreveu que somos todos como habitantes de uma caverna, acorrentados ao solo, olhar voltado para sombras que percorrem uma parede. Sombras que tomamos por realidades.
O primeiro homem a escapar da caverna da ilusão em que, segundo Platão, vivemos é o filósofo - aquele dentre nós que consegue perceber que vivemos, de certa forma, vidas de ilusão, aprisionados por sombras e correntes que não foram criadas por nós.
Ao voltar à caverna com seu estranho relato de outras realidades, ele será aclamado por alguns e vaiado por outros.
Tendemos a nos acomodar às nossas ilusões. Assim, somos facilmente ameaçados por quaisquer relatos estranhos de realidades maiores.
Mas, o verdadeiro filósofo tenta libertar o máximo de companheiros cativos, para que vivam nas realidades mais amplas e brilhantes que residem além dos estreitos limites de suas percepções costumeiras.
A meta da Filosofia é nos libertar da ilusão e nos ajudar a captar as realidades mais fundamentais.
Deveríamos nos perguntar: Sob que ilusões estamos vivendo agora? Que coisas valorizamos sem que realmente tenham a importância que lhes são atribuidas? Que coisas realmente valiosas podemos estar ignorando? Que suposições fazemos sobre nossa vida que podem se basear em aparências, em vez de realidades?
A maioria das pessoas está acorrentada por todo tipo de ilusão.
Perceber-se
No espelho
É como lavar
O rosto
Dia a dia
Para retirar
A maquilagem
E remover
A pintura
Revelando
Aos poucos
As marcas
Do tempo
Que afloram
Desnudas
Por debaixo
Do semblante
Sorridente
Do palhaço
Hoje
Acordei assim
Sem despertar do sonho
As palavras dançando
Em minha mente
Obrigando-me a escrever
Para ganhar vida
Materializar-se
Mas os limites do irrealizado
Só levam ao imaginário
Existe
Sempre existiu
Digo a mim mesmo
Eternamente apaixonado
Por essa imaginária
Pairando num espaço
Também imaginário
Eu sou assim
Um homem alegre
Ao mesmo tempo
Um velho nostálgico
Sonhador que faz de conta
Que as cicatrizes não existem
Ou desaparecem
Que a distância não existe
Ou desaparece
Num otimismo absurdo
Como eu próprio
Sonho
Sonhar
Viver
Enquanto
Viver
Sonhar
...porque en un sueño de aguas, sumergida, se abre en giros mi alma...
(Imagem: "La Xana", a Fada de Cantabria, pintura de Lamia Waterhouse)
Poetar é enxergar além
Poetar é sentir além
É saber contar a alma...
-o0o-
Solidão
Solidão não é a falta de gente para conversar,
Para namorar, passear ou fazer sexo...
Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos
Pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar...
Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes,
Para realinhar os pensamentos...
Isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe,
Para que revejamos nossa vida...
Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado...
Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos
E procuramos, em vão, pela nossa alma...
(Postagem dedicada a Chico Buarque de Holanda, um poeta capaz sentir e contar a alma, principalmente a feminina, mas que deveria APENAS compor músicas)
Hoje, o amigo e escritor, Jorge Lemos, comentou em seu Blog “Sombras & Fragmentos”:
“ Vou repetir Mario Vargas Llosa: A linguagem é preciosa para o escritor.
Quando transferimos o pensamento buscamos parcerias e ensinamentos. O blog, de uma forma ampla, nos possibilita expressar nossos sentimentos e legar a outros os retalhos de nossas vidas.
Não condeno aqueles que só passam por aqui e nada deixam: puramente lamento é que este pequeno toque de simples palavras (criticas e apoio) possam nos guiar para nosso próprio aperfeiçoamento ”.
Entendo, amigo Jorge, teu lamento. Sinto exatamente o mesmo.
É um sentimento que me fica ao escrever, no vazio da solidão, para o silêncio...
Escrever no Blog, para mim, tornou-se algo semelhante a um louco que aplacasse sua loucura escrevendo cartas; como não dispõe de destinatário, não tem para quem escrever, com quem se corresponder, escreve para si mesmo.
Vai ao correio, como todo mundo que tem cartas para enviar, sela, manda para seu próprio endereço, e aguarda...
. Há momentos em que talvez eu escreva e aponte mais o lado melancólico da vida. No fundo, mesmo, não esqueço a face da alegria, do humor, que, na verdade, me caracteriza no cotidiano. Porém, há certas coisas e certas fases em que é preciso falar, gritar, por pra fora, romper... e exorcizar o passado.
Podes Partir
Deixa ficar comigo
A madrugada,
A vitrola, o disco,
O crepitar do fogo,
Teu cheiro à volta
E o lume do teu peito
Depois, podes partir.
De nada mais preciso
Para viver minha ilusão
De paraíso
Bilhete
Quebrei o teu prato,
Tranquei o meu quarto
Bebi teu licor
Arrumei a sala,
Já fiz tua mala
Pus no corredor
Eu limpei minha vida,
Te tirei do meu corpo
Te tirei das entranhas
Fiz um tipo de aborto
E por fim nosso caso acabou,
Está morto
Jogue a cópia da chave
Por debaixo da porta
Que é pra não ter motivo
De pensar numa volta
Fique junto dos teus
Boa sorte, adeus
Já há algum tempo queria escrever algo para meu novo netinho, Piero Lucas, que nasceu no último dia 31 de Março.
Demorei um pouco para encontrar a palavra certa, porém, ela veio até mim da melhor forma - em forma de oração. Não poderia haver melhor maneira de dizer:
Te amo, Pierinho, que Deus te cuide.
Que Deus te cuide com carinho,
Que te indique o melhor caminho,
Que te ensine sobre o verdadeiro amor,
Que te perdoe quando preciso for.
Que Deus te dê asas para voar,
Nos sonhos te ajude a pousar.
Mas, também te mostre a realidade
Que terás que enfrentar
Sem nunca, por nada, recuar.
Que Deus te dê forças para encarar
Tudo aquilo que não tens como mudar
Ou sequer alterar.
Que Deus te mostre com clareza
A grande e real beleza
De um jardim florido,
De um bom livro,
De uma poesia que fale de saudade,
De uma calma paisagem.
Que Deus te faça compreender
Porque amanhece antes de anoitecer,
Porque o Sol se esconde quando a Lua quer brilhar
E porque o Sol brilha quando ela vai descansar.
Que Deus te faça ver
Que no sorriso de uma criança
Mora toda a esperança
Que precisas pra viver.
Que Deus faça de ti um ser sensível,
A exemplo de teu pai,
Que seja capaz de chorar
Sem jamais se envergonhar.
Que Deus possa te mostrar
Que cada onda do mar
Devolve tudo que ousa levar,
Afinal, não tem intenção de roubar
O que em terra deve ficar.
Que Deus te ensine sobre a dignidade,
Sobre a força e a fragilidade,
Sobre a coragem e a honestidade.
Que Deus te ofereça amigos verdadeiros
E que tu saibas cultivar
Cada amizade que em tua vida Ele plantar.
Que Deus te ensine a fé,
E que te faça Nele crer
E que te permita aceitar
Que, por pior que seja a cruz
Que tenhas que carregar,
Com o peso que teve a Dele, nunca será.
Que Deus te dê saúde,
Que teu corpo, por dentro, nunca mude
E que, ao envelhecer, tu possas dizer
Que tua maior felicidade foi viver.
Bem-vindo a esse mundo, netinho,
E que Deus te proteja!
Um beijo do vô
Walmir
(Um beijo especial à minha prima Dedê pelos bons fluidos, textos plenos de positividade e palavras de elevação espiritual que, com sua fibra e mensagens de esperança, me tem presenteado)
"Vovô tem um riso de cobre,
Surdo, velho, azinhavrado,
Um riso que sai custoso, aos vinténs.
Mas Lili, sempre generosa,
Lhe dá o troco em pratinhas novas."
Minha netinha, Alice, é assim...
Ao me ver, abre ainda mais seu sorriso permanente, mostrando seus quatro dentinhos que me lembram esse poema de Mário Quintana.
Alice mitiga esse olhar, já tão meigo, e abre um sorriso de pura alegria que ilumina minha vida e me abranda a alma.
Ela me transforma no melhor que eu posso ser.
Alice é meu troco em pratinhas novas, novinhas!
(Poema: "Intercâmbio", de Mário Quintana - Agradeço ao amigo Ernesto por tê-lo citado, outro dia, no Bar Genial)